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28º Domingo do Tempo Comum, ano A

 

 

 

Oração: “Ó Deus, sempre nos preceda e acompanhe a vossa graça para que estejamos sempre atentos ao bem que devemos fazer”.

1. Primeira leitura: Is 25,6-10a

O Senhor dará um banquete

e enxugará as lágrimas de todas as faces.

O texto da primeira leitura faz parte do assim chamado “pequeno apocalipse” do livro de Isaías (cap. 24 a 27). São textos elaborados por discípulos do Profeta após o exílio da Babilônia. A leitura de hoje é precedida por um hino que ilustra a destruição de uma cidade anônima (símbolo da violência) pela ação divina (25,1-5); e é seguida por um canto de ação de graças no qual Israel glorifica a realeza de Deus (25,9-12). Deus não perdeu o controle dos eventos históricos. Pelo contrário, armou o braço de Ciro, rei dos persas, que pôs fim ao domínio dos babilônios e permitiu o retorno dos exilados à sua terra. Israel voltou a “este monte” (três vezes!), isto é, ao monte Sião, símbolo de Jerusalém e de seu templo que estavam sendo reconstruídos. O profeta anima os que voltaram do exílio a colaborar neste algo novo que Deus planejou para todos os povos, a partir do monte Sião. O símbolo deste novo é o banquete esplêndido que Deus prepara para todos os povos e vai celebrar “neste monte” sagrado de Sião. No monte, Deus vai presentear os convidados com dois presentes: O primeiro é o próprio Deus que se revela a todos os povos como o único Deus e rei universal, ao retirar o véu que os cobria na ignorância. O segundo presente é mais maravilhoso ainda: não haverá mais morte nem lágrimas e a vergonha de Israel acabará. E todos reconhecerão a Deus como salvador: “Este é o nosso Deus, esperamos nele, até que nos salvou; este é o Senhor, nele temos confiado até que nos salvou: vamos alegrar-nos e exultar por nos ter salvo”.

Nos tempos difíceis em que estamos vivendo renovemos nossa fé e esperança em Jesus Cristo. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. É o nosso Salvador.

Salmo responsorial: Sl 22

 Na casa do Senhor habitarei eternamente.

2. Segunda leitura: Fl 4,12-14.19-20

Tudo posso naquele que me dá força.

Nos últimos três domingos a segunda leitura foi extraída da Carta de Paulo aos Filipenses, comunidade muito querida de Paulo, a primeira por ele fundada na Europa. O Apóstolo está encarcerado, talvez em Éfeso, por causa do Evangelho que pregava. Como vimos nos últimos domingos, Paulo se mostra muito grato pelo apoio, inclusive financeiro, que a comunidade de Filipos lhe tem prestado na prisão (Fl 1,20c-24.27a). Com o texto de hoje, concluem-se as leituras da Carta aos Filipenses na Liturgia do na A. O Apóstolo retoma o que já disse no cap. 1 (25º Domingo) e reafirma seu modo de evangelizar, vivendo de seu próprio trabalho (cf. At 18,1-4; 1Cor 4,12). Mas na prisão estava impossibilitado de trabalhar. Paulo sabe viver na abundância e na miséria porque Cristo o fortalece: “Tudo posso naquele que me conforta”; no entanto mostra-se grato pelo gesto solidário dos filipenses. Em outras palavras: ‘Não precisava’! Mas “fizestes bem em compartilhar as minhas dificuldades”. E conclui com um ‘Deus lhes pague’: “O meu Deus proverá esplendidamente com sua riqueza as vossas necessidades, em Cristo Jesus”. No presente recebido Paulo reconhece o dom de Deus, que une a todos os cristãos no mesmo amor. Por isso glorifica a Deus: “Ao nosso Deus e Pai a glória pelos séculos dos séculos”. – Que motivos me levam a agradecer e louvar a Deus? Como mostro a minha gratidão no convívio com as pessoas?

Aclamação ao Evangelho: Ef 1,17-18

 Que o Pai do Senhor Jesus Cristo nos dê do saber o espírito;

Conheçamos assim a esperança à qual nos chamou como herança.

  1. Evangelho: Mt 22,1-14

Convidai para a festa todos os que encontrardes.

Jesus está em Jerusalém para celebrar a Páscoa com seus discípulos. Na entrada triunfal em Jerusalém, envolvido pela multidão, foi aclamado como o Messias esperado pelos judeus: “Hosana ao Filho de Davi” (21,1-11). Purificou o Templo, derrubando as mesas dos cambistas e as cadeiras dos vendedores de pombas. Os sumos sacerdotes e os escribas protestam e exigem que as crianças parem de aclamá-lo como o Messias (v. 12-17). No dia seguinte Jesus volta ao Templo, onde continua ensinando; mas é contestado pelos sumos sacerdotes e anciãos do povo, que dizem: “Com que autoridade fazes estas coisas? Quem te deu este direito”? E Jesus lhes diz: se vocês me responderem de onde vinha o batismo de João Batista, “do céu ou dos homens?”, eu lhes darei a resposta sobre minha autoridade (v. 18-27. Na sequência vêm duas parábolas, a parábola dos dois filhos e a parábola dos vinhateiros homicidas (v. 28-46, lidas no 26º e 27º domingos. Nelas Jesus critica os sumos sacerdotes e os fariseus e contesta a autoridade deles.

Na parábola que hoje ouvimos (22,1-14) Jesus compara o reino dos Céus a um rei que preparou a festa para o casamento de seu filho. Mandou os escravos chamar os convidados, mas eles não quiseram vir. Mandou novamente os escravos, que repetiram o convite com mais insistência: “Está tudo pronto para o banquete, vinde para a festa”. Mas não lhes deram ouvido. Um foi para o seu sítio, outro, atrás dos negócios; outros ainda agarraram os escravos, bateram neles e os mataram. O rei ficou indignado e mandou incendiar a cidade destes convidados (alusão à destruição de Jerusalém no ano 70). Como o banquete estava pronto, o rei mandou chamar para o banquete todos que encontrassem pelos caminhos e encruzilhadas, bons e maus. E a sala ficou repleta de convidados. – Na parábola o rei simboliza Deus e o seu filho noivo é Jesus; curiosamente, quando Jesus responde aos sumos sacerdotes que contestavam sua autoridade, Mateus cita João Batista (Mt 21,23-27), que considera Jesus como o noivo da festa e ele é apenas o amigo do noivo (Jo 3,22-30; Mt 9,15). No passado, Israel perseguiu os profetas (Mt 5,12) e até matou alguns deles (Mt 23,29-37). Agora, os chefes religiosos da Judeia perseguem a Jesus e planejam condená-lo à morte. Assim como os convidados à festa de casamento do filho do rei se excluíram do banquete, agora os judeus que não creem no Filho de Deus se auto-excluem do reino de Deus, anunciado por Jesus. Convém lembrar que os novos convidados para a festa, bons e maus, são recolhidos nas praças, ruas e encruzilhadas, são os pagãos; somos nós. Isso, porém, não garante a participação definitiva no reino de Deus. É preciso estar vestido com a roupa de casamento. Isto é, revestir-se de Cristo.

Frei Ludovico Garmus, OFM

Confiar na bondade de Deus

José Antonio Pagola

Estou cada vez mais convencido de que muitos dos que se dizem ateus são pessoas que, quando recusam a Deus, na verdade estão recusando um “ídolo mental” que se fabricaram quando eram crianças. A ideia de Deus que trazem em seu interior e com a qual viveram durante alguns anos tornou-se pequena. Num certo momento, esse Deus tornou-se para elas um ser tão estranho, incômodo e molesto que prescindiram dele.

Não me custa nada compreender essas pessoas. Dialogando com algumas delas, lembrei-me mais de uma vez daquelas palavras acertadas do patriarca Máximos IV durante o Concílio: “Eu também não creio naquele deus em que os ateus não creem”. Na realidade, o deus que alguns suprimiram de suas vidas é uma caricatura que se formaram falsamente dele. Se esvaziaram sua alma desse “deus falso”, não será para dar lugar algum dia ao Deus verdadeiro?

Mas, como pode hoje uma pessoa encontrar-se com Deus? Se ela se aproximar de nós que nos dizemos crentes, certamente vai encontrar-nos rezando, não ao Deus verdadeiro, mas a um pequeno ídolo sobre o qual projetamos nossos interesses, medos e obsessões. Um Deus do qual pretendemos apropriar-nos e ao qual tentamos utilizar para nosso proveito, esquecendo sua imensa e incompreensível bondade para com todos.

Jesus rompe com todos os nossos esquemas, quando nos apresenta na Parábola do “Senhor da Vinha” esse Deus que “dá a todos sua diária”, quer a mereçam ou não, e diz assim aos que protestam: “Vais ter inveja porque Eu sou bom?”

O que temos a fazer é esquecer-nos de nossos esquemas, fazer silêncio no nosso interior, escutar até o fundo a vida que palpita em nós … e esperar, confiar, deixar aberto nosso ser. Deus não se oculta indefinidamente a quem o busca com coração sincero.

Trecho do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, de José Antonio Pagola, Editora Vozes.

Meu Deus tem piedade de mim que sou pecador!

Na liturgia deste domingo dois temas perpassam as leituras da liturgia da palavra: a oração e a justificação do pecador.  Continuando o tema da oração que nos foi proposto no domingo passado, o Evangelho nos apresenta agora uma parábola que é a sequência imediata daquela que ouvimos (da viúva insistente e do juiz iníquo). Mas esta de hoje vai endereçada diretamente a uma classe de pessoas: os autossuficientes.  Temos duas personagens que nos ajudaram a entender melhor as palavras da comunidade lucana: o Fariseu e o publicano. O publicano desta parábola é, porém, uma pessoa consciente de seu mau comportamento, por isso não se julga melhor que ninguém, reconhece a sua fraqueza.  O fariseu representa o autossuficiente, aquele que se acha justificado pelas obras que realiza e pensa ser melhor que os outros em função disso.

Esta parábola do fariseu e do publicano, a última das parábolas próprias de Lucas, também proporciona um foco interessante para a celebração deste domingo, dia Mundial das Missões. Somos motivados também a propagarmos e assumirmos com fé o nosso compromisso de seguimento a Jesus Cristo. Portanto, como discípulos missionários somos chamados a cultivar uma mística orante para testemunhar e anunciar o evangelho em nosso meio.

Neste dia dedicado as Missões, todos somos convidados a “sair” como discípulos missionários, e por os talentos, a criatividade, a sabedoria e experiência de cada um de nós para levar a mensagem da ternura e da compaixão de Deus a todas as famílias.

Fr. Rogério Lopes, OFM.

“Eles têm Moisés e os profetas, que os escutem”

 Na liturgia deste domingo, continuamos a mesma temática do domingo passado: a relação do ser humano com as riquezas, à luz do ensinamento de Jesus visando a salvação. Convida-nos a  ver os bens materiais, não como algo que nos pertence de forma exclusiva, mas como dons que Deus colocou nas nossas mãos, para que os administremos e partilhemos, com gratuidade e amor.

O Evangelho apresenta-nos, através da parábola do rico e do pobre Lázaro, uma catequese sobre a posse dos bens… Na perspectiva de Lucas, a riqueza é sempre um pecado, pois supõe a apropriação, em benefício próprio, de dons de Deus que se destinam a todos os homens… Por isso, o rico é condenado e Lázaro recompensado.

A Boa-Nova, de Cristo, para o nosso mundo é superar o abismo entre ricos e pobres. Este abismo não está alicerçado apenas sobre um problema econômico, mais sobre o individualismo e o egoísmo. Esses são abismos a que devem, urgentemente, serem superados. Neles ganha forma o abismo econômico. Este Evangelho faz uma severa admoestação a quantos buscam a felicidade nas riquezas e creem que estas podem salvar. A eternidade é um dom. A partir do projeto libertador de Cristo, somos convidados a fazer a experiência deste dom, em duplo sentido: saber ver os bens como procedentes de Deus e saber partilhar com os mais necessitados os bens que recebemos.

A conclusão do Evangelho é para nos acordar: não basta conhecer Moisés e os Profetas (a Bíblia). É preciso viver o que Deus nela nos ensina. Portanto, a fé não provém da contemplação de nenhum prodígio sobrenatural, mas da aceitação humilde da revelação de Deus.

Fr. Rogério Lopes, OFM

A quem servimos: a Deus ou ao dinheiro?

A liturgia desse domingo nos apresenta um tema bastante necessário, embora pouquíssmo levado em conta: de que modo administramos nossos bens materiais e qual grau de importância ele ocupa na nossa vida em detrimento aos valores eternos que tão bem nos ensinou Jesus?

A primeira leitura retirada do livro do profeta Amós (8,4-7) apresenta a história do povo que deixou de lado o sentido de se celebrar o sabático e a libertação do Egito, e, mesmo oferendo cultos e sacrifícios suas vidas eram incoerentes porque exploravam os pobres no comércio. Há, no fundo, uma forte crítica de Amós pela incoerência entre aquilo que eles celebram e sacrificam e a vida moral, quando esquecem de serem justos na vida cotidiana como uma exigência e até prolongamento da celebração. A quem se serve de verdade, ao Senhor que libertou a todos da escravidão ou aos meus interesses de opulência e ganância?

Na segunda leitura, retirada da Primeira Carta de Paulo a Timóteo, o apóstolo lembra que é necessário orar para que chegue a todos o conhecimento da verdade, e isso também serve para os que governam as nações. Trata-se da clareza de que a fé é universal e não restrita a grupos ou comunidades, pois para Deus não existe restrições de privilégios, Ele quer salvar a todos e já o fez de uma vez por todas em Jesus Cristo.

O Evangelho, por sua vez, nos trás uma mensagem bastante direta que nos deixa reflexivos: a quem servimos, a Deus ou ao dinheiro? Não se trata do desprezo dos bens materiais como sendo desnecessários ao homem, afinal não sobreviveríamos caso deixássemos de lado o usufruto dos bens. Contudo, há uma severa advertência sobre o uso dele, o que de fato colocamos no centro da vida.

Deus nos ensina, por Jesus, a optamos pela melhor parte porque compreenderemos que o material deve servir ao homem para subsisti-lo vitalmente e para que este seja sensível às injustiças da vida e a desigualdade. Os meios de consumo, ganância e poderio opressor só distanciam cada vez mais a humanidade da salvação eterna. Se tudo o que temos e conseguimos materialmente não contribuir para essa libertação, então estaremos subjulgados à dominação do individualismo que gera egoísmo e tantas injustiças.

Deus nos ajude a sermos solidários e fraternos uns com os outros e que cada coisa que recebemos sejam restituídas a Ele com partilha e gratidão.

Frei Faustino dos Santos, OFM

Amar provoca mudanças

A pergunta que podemos fazer nesse 24º Domingo do Tempo Comum é: Até quanto podemos amar? Certa vez Pedro Pergunta a Jesus quantas vezes devemos perdoar o irmão e Jesus responde que não só sete, mas, setenta vezes sete, ou seja, sempre, infinitamente. Nesse mesmo intuito responderia a pergunta inicial, devemos amar sempre.

Na primeira leitura do Êxodo Moisés se encontra na montanha, lugar do encontro com Deus, com o próximo e consigo mesmo. No encontro com Deus Moisés recebe os mandamentos e, ainda a ira pelo “teu povo” (Ex 3, 7) fazer uma imagem Dele e adorá-lo. No encontro com o próximo, Moisés, assim como foi Abrão, se configura como mediador que recorda a Deus não os pecados do seu povo, mas a justiça e a misericórdia que é a verdadeira imagem de Deus. No encontro consigo mesmo descobre que Deus fará dele “uma grande nação”. A descendência de Moisés não pode se valer do pecado como base de um relacionamento. A capacidade de amar, até mesmo os limites do outro é o legado que Deus e a descendência de Moisés deixa a nós hoje.

O apóstolo Paulo como vemos na segunda leitura, é um exemplo desse legado que vê o homem a partir de suas possibilidades, sobretudo, de amar. Teria Deus todos os motivos para julgar Paulo de seus crimes, principalmente aqueles cometidos contra os primeiros cristãos. Porém, quis Deus continuar amando e, talvez, tenha sido a razão da conversão de Paulo. Ao contrário de nós humanos, que mudamos a partir do erro do outro, esperando uma melhora, Deus continua amando mesmo que a resposta seja o contrário. A insistência de amar é o que provoca a mudança.

O Evangelho de Lucas 15 vai na mesma lógica das leituras anteriores, o que vale é o amor e não o pecado. Todo esse capitulo é preenchido com as chamadas “parábolas da misericórdia”. Das três narradas hoje, a primeira (ovelha perdida) encontra-se em Mateus e Lucas, as outras duas (moeda perdida e o filho pródigo) exclusivas de Lucas. Jesus conta essas parábolas em meio aos reconhecidos como indignos (cobradores de impostos e pecadores) e, por isso, questionado por fariseus e publicanos reconhecidos como dignos. Na lógica do amor não existe o indigno e o digno, existe o homem e a mulher que ao se encontrarem perdidos, são procurados, valorizados e, consequentemente, feito a festa.

Portanto, não sei qual a imagem que fazemos de Deus? Se esta imagem é de um Deus que visa o pecado e que se preocupa apenas com os bons ou aqueles que rendem, esse não é Deus se levarmos em conta o legado dos nossos patriarcas (Abraão, Isac, Jacó, Moisés). Contudo, se a imagem que temos de Deus é de um Deus que não sabe rejeitar um homem sequer, pois rejeitar um é rejeitar todos, na lógica do amor, então estamos dando continuidade a um legado que tem sua base no amor. Se quisermos uma prova que estamos ou não no caminho certo, basta se perguntar se nossa preferência é ou não os mais necessitados.

Frei Pedro Júnior, OFM

 

“Quem se eleva será humilhado e quem se humilha, será elevado”

O evangelho que nos é proposto neste Domingo, narra Jesus participando de uma refeição, em dia de sábado, na casa de um homem importante do grupo dos fariseus. Jesus continua no caminho rumo a Jerusalém, faz uma pequena parada e hospeda-se na casa deste fariseu, e observa “como os convidados escolhiam os primeiros lugares”. Ele observa que as pessoas estavam preocupadas em buscar privilégios e honras. E através, da parábola lança uma crítica veemente “aos que gostam dos primeiros assentos nas sinagogas e dos lugares de honra nos banquetes”. O objetivo de Jesus é construir uma sociedade nova e justa, um Reino de paz Justiça.

Nesta perícope, através da ação de Jesus, podemos perceber que a verdadeira grandeza é a que temos diante de Deus. Ele assegura a cada pessoa o lugar no banquete de seu Reino. A Boa-Nova de Jesus inverte a escala de valores da sociedade. “Quando tu fores convidado, vai e senta-te no último lugar, (…) por que quem se eleva será humilhado e quem se humilha, será elevado (14,24-27). As relações e os papeis são redimensionados a partir do Evangelho. O primeiro é aquele que serve, o maior é o último (cf. 22,24-27).

Portanto, como criaturas humanas, glorificamos a Deus na humildade e no serviço gratuito ao próximo. A mensagem de Jesus aponta para o Reino, o novo modo de ser comunidade solidária e fraterna. Com Jesus, aprendemos que a melhor forma de agradar a Deus, de viver em comunhão com Ele é estarmos sempre disponíveis a servir aos irmãos com generosidade.

Frei Rogério Lopes, OFM

Em Maria se realiza o que acontecerá em todos nós

É propícia a imagem de Maria no momento em que se celebra a vocação religiosa consagrada. Na liturgia desse Domingo, Maria é apresentada pelos autores sagrados de diversos modos e cada um nos fala muito particularmente.

Na primeira leitura retirada do Apocalipse de São João (Ap 11,19a;12,1-6a.10ab) Maria representa a Igreja. Na segunda leitura (1 Cor 15,20-27) Maria pode representar a Nova Eva, em relação a Cristo, Novo Adão.

O Evangelho escrito por Lucas (Lc 1,39-56), que é aquele que mais fala de Mãe de Jesus, relata a fé autêntica de Maria que a leva a exercer o verdadeiro discipulado quando se põe a caminho para servir, ir ao encontro daquela que outrora vivera na desesperança. Dessa passagem pode-se retirar muitos elementos importantes: o serviço, a confiança em Deus, o reconhecimento da ação de Deus na vida de Maria e tantos outros.

Nesse encontro de Maria com Izabel, o Evangelista já relata o primeiro encontro de Jesus com João Batista, que preparou os caminhos para a vinda do Senhor. Esse encontro com Jesus, ainda no ventre de Maria, faz Izabel e seu filho exultar de alegria e admiração. Esse trecho nos ensina que o encontro verdadeiro com o Senhor cumula a quem o realiza do regozijo do Espírito. Ainda, pela boca de Maria sai a gratidão a Deus porque sua misericórdia e promessa se realizaram nela, humilde e serva.

Sobre o dogma da Assunção de Maria, este só tem sentido se for visto à luz da ressurreição do seu Filho e da promessa de ressurreição a todos aqueles que nessa vida seguem os passos e fazem a vontade de Jesus. Maria é sinal de benção, sinal da realização das promessas de Deus para a nova humanidade, nela acontece o que será com todos um dia.

Pela opção de vida de Maria, Deus transforma sua história. Maria é sinal de Deus para a comunidade que caminha na história. Os consagrados devem, por sua consagração, tomar o exemplo de Maria, receber a vocação que Deus os oferece como um dom transformador da sua vida e história a fim de que, com muita humildade, sejam eles, sinais da ressurreição de Jesus Cristo e da graça de Deus aos homens que se renova a todo instante.

Frei Faustino dos Santos, OFM

Lançar fogo à terra

Estamos no mês dedicado as vocações e a liturgia deste 20º Domingo do Tempo Comum evidencia que nem sempre é fácil assumir o chamado que Deus nos faz. É preciso ser fiel à sua Palavra mesmo que em determinado momento a incompreensão seja o que realmente se ganha.

Na primeira leitura o profeta Jeremias, chamado desde o ventre materno, é responsável para dar uma notícia que iria mexer com o povo de Jerusalém: anunciar o fim do reino de Judá. Tal anuncio possibilitou o ódio principalmente das grandes autoridades, mas como sempre aconteceu em suas profecias, ele preferia arriscar a vida do que silenciar diante da voz de Deus. No final, cumpre-se a promessa de Deus, expressa no relato da vocação de Jeremias: “não tenha medo, Eu estarei contigo para te libertar” (Jr 1, 8). O mundo de hoje, bem como o de sempre, continua a não saber lidar com a profecia.

A incompreensão frente a Palavra de Deus e a seus anunciadores também se revelou em Jesus. Neste Evangelho (Lc 12, 49-53), mesmo que seja um texto difícil de interpretar, Lucas apresenta esse episódio no contexto do caminho para Jerusalém. Jesus tem a missão de “lançar fogo à terra” a fim de que desapareça os sinais de morte e vivifique a vida. Não pertence a personalidade de Jesus conservar intacto o que já existia, compactuando com uma paz enganadora que não questiona a injustiça. O objetivo de Jesus passa por “incendiar o mundo”, pondo em questão tudo o que interfere para que a vida aconteça.

Dessa forma, “rodeados como estamos por tamanha multidão de testemunhas…” como nos fala a segunda leitura, por exemplo, Jeremias, Jesus, os santos e santas, corramos ao encontro da vida, como os atletas que para conseguir seus objetivos não medem esforços, doa a quem doer, e, assim, cumprir a missão que Deus nos confiou.

Neste dia que celebramos o dia dos pais pedimos a Deus que eles sejam homens como Jeremias, que sejam homens compreensíveis, presentes e que escutem a voz de Deus. Se Deus é representado em muitos momentos como Pai, denota a responsabilidade dos pais serem como Ele: justo, misericordioso e lento para a ira.

 

Frei Pedro Júnior, OFM.

Chamados a ser vigilantes servidores do Reino de Deus

A liturgia desse domingo, nos envolve numa permanente disposição de encontrar-se com o Senhor.

O Evangelho de Lucas foi escrito num momento em que os primeiros cristãos passavam por diversas dificuldades, tais como perseguição por parte dos judeus e de outros, desânimos de alguns membros das comunidades e distanciamento de alguns líderes da missão de Jesus que passavam a pensar apenas nos seus próprios interesses.

Os desafios encontrados nos primeiros tempos da vida cristã, podem ser tão facilmente identificados em nos nossos dias. Evidentemente cada período caracterizado por elementos próprios de cada acontecimento da história.

Desde as primeiras comunidades, nós cristãos somos chamados a permanecer em constante espera do Senhor, claro que essa espera, tem como eixo fundamental a PARUSIA, isto é, a vinda definitiva de Jesus na consumação dos tempos.

É vivendo na fé, nessa certeza de um encontro pleno e definitivo com o Senhor, precisamos estar vigilantes, encontrando-nos sempre com Ele, por meio de sua Palavra, através do sacramento da Eucaristia e dos demais sacramentos, no encontro/comunhão com os irmãos e irmãs.

É assim que permanecemos com nossas lâmpadas acesas, cingidos com a toalha do serviço, aprendendo do próprio Senhor que veio para servir e doar sua vida pelo Reino de Deus.

Rezemos pelos nossos ministros ordenados para que sempre configurem suas vidas e a missão no ministério de Jesus e caminhem com todo o povo Deus na doação de suas vidas a serviço do Reino.

Frei Francisco Rogério de Sousa, OFM