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Meu Deus tem piedade de mim que sou pecador!

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Na liturgia deste domingo dois temas perpassam as leituras da liturgia da palavra: a oração e a justificação do pecador.  Continuando o tema da oração que nos foi proposto no domingo passado, o Evangelho nos apresenta agora uma parábola que é a sequência imediata daquela que ouvimos (da viúva insistente e do juiz iníquo). Mas esta de hoje vai endereçada diretamente a uma classe de pessoas: os autossuficientes.  Temos duas personagens que nos ajudaram a entender melhor as palavras da comunidade lucana: o Fariseu e o publicano. O publicano desta parábola é, porém, uma pessoa consciente de seu mau comportamento, por isso não se julga melhor que ninguém, reconhece a sua fraqueza.  O fariseu representa o autossuficiente, aquele que se acha justificado pelas obras que realiza e pensa ser melhor que os outros em função disso.

Esta parábola do fariseu e do publicano, a última das parábolas próprias de Lucas, também proporciona um foco interessante para a celebração deste domingo, dia Mundial das Missões. Somos motivados também a propagarmos e assumirmos com fé o nosso compromisso de seguimento a Jesus Cristo. Portanto, como discípulos missionários somos chamados a cultivar uma mística orante para testemunhar e anunciar o evangelho em nosso meio.

Neste dia dedicado as Missões, todos somos convidados a “sair” como discípulos missionários, e por os talentos, a criatividade, a sabedoria e experiência de cada um de nós para levar a mensagem da ternura e da compaixão de Deus a todas as famílias.

Fr. Rogério Lopes, OFM.

“Eles têm Moisés e os profetas, que os escutem”

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 Na liturgia deste domingo, continuamos a mesma temática do domingo passado: a relação do ser humano com as riquezas, à luz do ensinamento de Jesus visando a salvação. Convida-nos a  ver os bens materiais, não como algo que nos pertence de forma exclusiva, mas como dons que Deus colocou nas nossas mãos, para que os administremos e partilhemos, com gratuidade e amor.

O Evangelho apresenta-nos, através da parábola do rico e do pobre Lázaro, uma catequese sobre a posse dos bens… Na perspectiva de Lucas, a riqueza é sempre um pecado, pois supõe a apropriação, em benefício próprio, de dons de Deus que se destinam a todos os homens… Por isso, o rico é condenado e Lázaro recompensado.

A Boa-Nova, de Cristo, para o nosso mundo é superar o abismo entre ricos e pobres. Este abismo não está alicerçado apenas sobre um problema econômico, mais sobre o individualismo e o egoísmo. Esses são abismos a que devem, urgentemente, serem superados. Neles ganha forma o abismo econômico. Este Evangelho faz uma severa admoestação a quantos buscam a felicidade nas riquezas e creem que estas podem salvar. A eternidade é um dom. A partir do projeto libertador de Cristo, somos convidados a fazer a experiência deste dom, em duplo sentido: saber ver os bens como procedentes de Deus e saber partilhar com os mais necessitados os bens que recebemos.

A conclusão do Evangelho é para nos acordar: não basta conhecer Moisés e os Profetas (a Bíblia). É preciso viver o que Deus nela nos ensina. Portanto, a fé não provém da contemplação de nenhum prodígio sobrenatural, mas da aceitação humilde da revelação de Deus.

Fr. Rogério Lopes, OFM

A quem servimos: a Deus ou ao dinheiro?

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A liturgia desse domingo nos apresenta um tema bastante necessário, embora pouquíssmo levado em conta: de que modo administramos nossos bens materiais e qual grau de importância ele ocupa na nossa vida em detrimento aos valores eternos que tão bem nos ensinou Jesus?

A primeira leitura retirada do livro do profeta Amós (8,4-7) apresenta a história do povo que deixou de lado o sentido de se celebrar o sabático e a libertação do Egito, e, mesmo oferendo cultos e sacrifícios suas vidas eram incoerentes porque exploravam os pobres no comércio. Há, no fundo, uma forte crítica de Amós pela incoerência entre aquilo que eles celebram e sacrificam e a vida moral, quando esquecem de serem justos na vida cotidiana como uma exigência e até prolongamento da celebração. A quem se serve de verdade, ao Senhor que libertou a todos da escravidão ou aos meus interesses de opulência e ganância?

Na segunda leitura, retirada da Primeira Carta de Paulo a Timóteo, o apóstolo lembra que é necessário orar para que chegue a todos o conhecimento da verdade, e isso também serve para os que governam as nações. Trata-se da clareza de que a fé é universal e não restrita a grupos ou comunidades, pois para Deus não existe restrições de privilégios, Ele quer salvar a todos e já o fez de uma vez por todas em Jesus Cristo.

O Evangelho, por sua vez, nos trás uma mensagem bastante direta que nos deixa reflexivos: a quem servimos, a Deus ou ao dinheiro? Não se trata do desprezo dos bens materiais como sendo desnecessários ao homem, afinal não sobreviveríamos caso deixássemos de lado o usufruto dos bens. Contudo, há uma severa advertência sobre o uso dele, o que de fato colocamos no centro da vida.

Deus nos ensina, por Jesus, a optamos pela melhor parte porque compreenderemos que o material deve servir ao homem para subsisti-lo vitalmente e para que este seja sensível às injustiças da vida e a desigualdade. Os meios de consumo, ganância e poderio opressor só distanciam cada vez mais a humanidade da salvação eterna. Se tudo o que temos e conseguimos materialmente não contribuir para essa libertação, então estaremos subjulgados à dominação do individualismo que gera egoísmo e tantas injustiças.

Deus nos ajude a sermos solidários e fraternos uns com os outros e que cada coisa que recebemos sejam restituídas a Ele com partilha e gratidão.

Frei Faustino dos Santos, OFM

Amar provoca mudanças

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A pergunta que podemos fazer nesse 24º Domingo do Tempo Comum é: Até quanto podemos amar? Certa vez Pedro Pergunta a Jesus quantas vezes devemos perdoar o irmão e Jesus responde que não só sete, mas, setenta vezes sete, ou seja, sempre, infinitamente. Nesse mesmo intuito responderia a pergunta inicial, devemos amar sempre.

Na primeira leitura do Êxodo Moisés se encontra na montanha, lugar do encontro com Deus, com o próximo e consigo mesmo. No encontro com Deus Moisés recebe os mandamentos e, ainda a ira pelo “teu povo” (Ex 3, 7) fazer uma imagem Dele e adorá-lo. No encontro com o próximo, Moisés, assim como foi Abrão, se configura como mediador que recorda a Deus não os pecados do seu povo, mas a justiça e a misericórdia que é a verdadeira imagem de Deus. No encontro consigo mesmo descobre que Deus fará dele “uma grande nação”. A descendência de Moisés não pode se valer do pecado como base de um relacionamento. A capacidade de amar, até mesmo os limites do outro é o legado que Deus e a descendência de Moisés deixa a nós hoje.

O apóstolo Paulo como vemos na segunda leitura, é um exemplo desse legado que vê o homem a partir de suas possibilidades, sobretudo, de amar. Teria Deus todos os motivos para julgar Paulo de seus crimes, principalmente aqueles cometidos contra os primeiros cristãos. Porém, quis Deus continuar amando e, talvez, tenha sido a razão da conversão de Paulo. Ao contrário de nós humanos, que mudamos a partir do erro do outro, esperando uma melhora, Deus continua amando mesmo que a resposta seja o contrário. A insistência de amar é o que provoca a mudança.

O Evangelho de Lucas 15 vai na mesma lógica das leituras anteriores, o que vale é o amor e não o pecado. Todo esse capitulo é preenchido com as chamadas “parábolas da misericórdia”. Das três narradas hoje, a primeira (ovelha perdida) encontra-se em Mateus e Lucas, as outras duas (moeda perdida e o filho pródigo) exclusivas de Lucas. Jesus conta essas parábolas em meio aos reconhecidos como indignos (cobradores de impostos e pecadores) e, por isso, questionado por fariseus e publicanos reconhecidos como dignos. Na lógica do amor não existe o indigno e o digno, existe o homem e a mulher que ao se encontrarem perdidos, são procurados, valorizados e, consequentemente, feito a festa.

Portanto, não sei qual a imagem que fazemos de Deus? Se esta imagem é de um Deus que visa o pecado e que se preocupa apenas com os bons ou aqueles que rendem, esse não é Deus se levarmos em conta o legado dos nossos patriarcas (Abraão, Isac, Jacó, Moisés). Contudo, se a imagem que temos de Deus é de um Deus que não sabe rejeitar um homem sequer, pois rejeitar um é rejeitar todos, na lógica do amor, então estamos dando continuidade a um legado que tem sua base no amor. Se quisermos uma prova que estamos ou não no caminho certo, basta se perguntar se nossa preferência é ou não os mais necessitados.

Frei Pedro Júnior, OFM

 

“Quem se eleva será humilhado e quem se humilha, será elevado”

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O evangelho que nos é proposto neste Domingo, narra Jesus participando de uma refeição, em dia de sábado, na casa de um homem importante do grupo dos fariseus. Jesus continua no caminho rumo a Jerusalém, faz uma pequena parada e hospeda-se na casa deste fariseu, e observa “como os convidados escolhiam os primeiros lugares”. Ele observa que as pessoas estavam preocupadas em buscar privilégios e honras. E através, da parábola lança uma crítica veemente “aos que gostam dos primeiros assentos nas sinagogas e dos lugares de honra nos banquetes”. O objetivo de Jesus é construir uma sociedade nova e justa, um Reino de paz Justiça.

Nesta perícope, através da ação de Jesus, podemos perceber que a verdadeira grandeza é a que temos diante de Deus. Ele assegura a cada pessoa o lugar no banquete de seu Reino. A Boa-Nova de Jesus inverte a escala de valores da sociedade. “Quando tu fores convidado, vai e senta-te no último lugar, (…) por que quem se eleva será humilhado e quem se humilha, será elevado (14,24-27). As relações e os papeis são redimensionados a partir do Evangelho. O primeiro é aquele que serve, o maior é o último (cf. 22,24-27).

Portanto, como criaturas humanas, glorificamos a Deus na humildade e no serviço gratuito ao próximo. A mensagem de Jesus aponta para o Reino, o novo modo de ser comunidade solidária e fraterna. Com Jesus, aprendemos que a melhor forma de agradar a Deus, de viver em comunhão com Ele é estarmos sempre disponíveis a servir aos irmãos com generosidade.

Frei Rogério Lopes, OFM

Em Maria se realiza o que acontecerá em todos nós

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É propícia a imagem de Maria no momento em que se celebra a vocação religiosa consagrada. Na liturgia desse Domingo, Maria é apresentada pelos autores sagrados de diversos modos e cada um nos fala muito particularmente.

Na primeira leitura retirada do Apocalipse de São João (Ap 11,19a;12,1-6a.10ab) Maria representa a Igreja. Na segunda leitura (1 Cor 15,20-27) Maria pode representar a Nova Eva, em relação a Cristo, Novo Adão.

O Evangelho escrito por Lucas (Lc 1,39-56), que é aquele que mais fala de Mãe de Jesus, relata a fé autêntica de Maria que a leva a exercer o verdadeiro discipulado quando se põe a caminho para servir, ir ao encontro daquela que outrora vivera na desesperança. Dessa passagem pode-se retirar muitos elementos importantes: o serviço, a confiança em Deus, o reconhecimento da ação de Deus na vida de Maria e tantos outros.

Nesse encontro de Maria com Izabel, o Evangelista já relata o primeiro encontro de Jesus com João Batista, que preparou os caminhos para a vinda do Senhor. Esse encontro com Jesus, ainda no ventre de Maria, faz Izabel e seu filho exultar de alegria e admiração. Esse trecho nos ensina que o encontro verdadeiro com o Senhor cumula a quem o realiza do regozijo do Espírito. Ainda, pela boca de Maria sai a gratidão a Deus porque sua misericórdia e promessa se realizaram nela, humilde e serva.

Sobre o dogma da Assunção de Maria, este só tem sentido se for visto à luz da ressurreição do seu Filho e da promessa de ressurreição a todos aqueles que nessa vida seguem os passos e fazem a vontade de Jesus. Maria é sinal de benção, sinal da realização das promessas de Deus para a nova humanidade, nela acontece o que será com todos um dia.

Pela opção de vida de Maria, Deus transforma sua história. Maria é sinal de Deus para a comunidade que caminha na história. Os consagrados devem, por sua consagração, tomar o exemplo de Maria, receber a vocação que Deus os oferece como um dom transformador da sua vida e história a fim de que, com muita humildade, sejam eles, sinais da ressurreição de Jesus Cristo e da graça de Deus aos homens que se renova a todo instante.

Frei Faustino dos Santos, OFM

Lançar fogo à terra

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Estamos no mês dedicado as vocações e a liturgia deste 20º Domingo do Tempo Comum evidencia que nem sempre é fácil assumir o chamado que Deus nos faz. É preciso ser fiel à sua Palavra mesmo que em determinado momento a incompreensão seja o que realmente se ganha.

Na primeira leitura o profeta Jeremias, chamado desde o ventre materno, é responsável para dar uma notícia que iria mexer com o povo de Jerusalém: anunciar o fim do reino de Judá. Tal anuncio possibilitou o ódio principalmente das grandes autoridades, mas como sempre aconteceu em suas profecias, ele preferia arriscar a vida do que silenciar diante da voz de Deus. No final, cumpre-se a promessa de Deus, expressa no relato da vocação de Jeremias: “não tenha medo, Eu estarei contigo para te libertar” (Jr 1, 8). O mundo de hoje, bem como o de sempre, continua a não saber lidar com a profecia.

A incompreensão frente a Palavra de Deus e a seus anunciadores também se revelou em Jesus. Neste Evangelho (Lc 12, 49-53), mesmo que seja um texto difícil de interpretar, Lucas apresenta esse episódio no contexto do caminho para Jerusalém. Jesus tem a missão de “lançar fogo à terra” a fim de que desapareça os sinais de morte e vivifique a vida. Não pertence a personalidade de Jesus conservar intacto o que já existia, compactuando com uma paz enganadora que não questiona a injustiça. O objetivo de Jesus passa por “incendiar o mundo”, pondo em questão tudo o que interfere para que a vida aconteça.

Dessa forma, “rodeados como estamos por tamanha multidão de testemunhas…” como nos fala a segunda leitura, por exemplo, Jeremias, Jesus, os santos e santas, corramos ao encontro da vida, como os atletas que para conseguir seus objetivos não medem esforços, doa a quem doer, e, assim, cumprir a missão que Deus nos confiou.

Neste dia que celebramos o dia dos pais pedimos a Deus que eles sejam homens como Jeremias, que sejam homens compreensíveis, presentes e que escutem a voz de Deus. Se Deus é representado em muitos momentos como Pai, denota a responsabilidade dos pais serem como Ele: justo, misericordioso e lento para a ira.

 

Frei Pedro Júnior, OFM.

Chamados a ser vigilantes servidores do Reino de Deus

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A liturgia desse domingo, nos envolve numa permanente disposição de encontrar-se com o Senhor.

O Evangelho de Lucas foi escrito num momento em que os primeiros cristãos passavam por diversas dificuldades, tais como perseguição por parte dos judeus e de outros, desânimos de alguns membros das comunidades e distanciamento de alguns líderes da missão de Jesus que passavam a pensar apenas nos seus próprios interesses.

Os desafios encontrados nos primeiros tempos da vida cristã, podem ser tão facilmente identificados em nos nossos dias. Evidentemente cada período caracterizado por elementos próprios de cada acontecimento da história.

Desde as primeiras comunidades, nós cristãos somos chamados a permanecer em constante espera do Senhor, claro que essa espera, tem como eixo fundamental a PARUSIA, isto é, a vinda definitiva de Jesus na consumação dos tempos.

É vivendo na fé, nessa certeza de um encontro pleno e definitivo com o Senhor, precisamos estar vigilantes, encontrando-nos sempre com Ele, por meio de sua Palavra, através do sacramento da Eucaristia e dos demais sacramentos, no encontro/comunhão com os irmãos e irmãs.

É assim que permanecemos com nossas lâmpadas acesas, cingidos com a toalha do serviço, aprendendo do próprio Senhor que veio para servir e doar sua vida pelo Reino de Deus.

Rezemos pelos nossos ministros ordenados para que sempre configurem suas vidas e a missão no ministério de Jesus e caminhem com todo o povo Deus na doação de suas vidas a serviço do Reino.

Frei Francisco Rogério de Sousa, OFM

“Senhor, ensina-nos a Rezar”

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O tema fundamental que a liturgia nos convida a refletir, neste domingo, é o tema da oração. Ao colocar diante dos nossos olhos os exemplos de Abraão e de Jesus, a Palavra de Deus mostra-nos a importância da oração e ensina-nos a atitude que os crentes devem assumir no seu diálogo com Deus.

No Evangelho de hoje, Lucas inicia a narrativa informando que Jesus estava num lugar orando. O modo de rezar de Jesus desperta o desejo dos discípulos de aprender mais e provoca o pedido: “Senhor, ensina-nos a rezar como também João” (11,1). Semelhante a outros grupos, que tinham preces, formas particulares de oração, o Pai-Nosso caracteriza a oração dos discípulos de Jesus. Como Jesus, que encontrou forças na oração para vencer as tentações no deserto, para proclamar a Boa Nova do Reino, para saciar a fome do povo, para perdoar até mesmo seus inimigos na cruz, os discípulos e discípulas buscavam, através da oração do Pai-Nosso permanecer firmes no projeto de Deus.

No Pai Nosso, Jesus ensina a denominar Deus de forma carinhosa, filial: Pai. Ele chama seus discípulos a participarem da relação amorosa com Deus. “Pai, santificado seja o teu nome” (11,2). Santificar o nome de Deus, que é Pai, é glorificá-lo e reconhece-lo como Senhor da vida que age na humanidade. “Venha o teu Reino”. Deus Rege a História humana. Mediante a vida, palavras e ações, Jesus anunciou a Boa-Nova do Reino. À medida que as pessoas se abrem para acolher o Evangelho, colaboram na realização plena do Reino e na construção de um mundo melhor.

Jesus ensina aos seus discípulos que podem dirigir-se a Deus com toda a confiança de serem acolhidos. Deus é muito mais disponível para acolher do que um amigo. Ele cuida de cada um de nós com carinho maior que aquele manifestado pelo pai a seu filho. Pedir, buscar e bater são expressões utilizadas para revelar a grande verdade relativa a oração: a persistência ou perseverança. É necessário buscar com insistência o Reino e a comunhão com o Pai.

Frei Rogério Lopes, OFM

Acolher a Cristo é estar na sua comunhão

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A liturgia desse domingo tem como tema central o acolhimento. A primeira leitura apresenta o acolhimento a Deus por parte de Abraão que gera transformação na sua vida porque Deus faz, por meio de Sara, sua esposa estéril, com que sua descendência não seja comprometida.

A segunda leitura apresenta, por sua vez, a presença de Cristo no meio da comunidade, e àqueles que participam da sua presença a faz na sua alegria e no seu sofrimento; estar com Cristo é deixar-se transformar em modelo de comunidade.

Já o Evangelho que narra a famosa passagem da visita de Jesus a casa de Marta e Maria, discípulas de Jesus, apresenta dois elementos de acolhimento muito importantes: “O serviço generoso e a escuta atenta”.

Lucas não tem a intensão de contrapor as duas atitudes, mas expressar que ambas possuem suas importâncias, sem deixa de ressaltar que o estar próximo de Jesus e escutá-lo com atenção tem sua precedência, inclusive escatológica, porque é imagem antecipada daquilo que um dia todos os que acolherem a Jesus farão: estar na sua presença e contemplá-lo amorosamente.

O evangelista dá ênfase a Maria ter escolhido a melhor parte por estar escutando a Jesus e pelo fato de que toda ação do discípulo só encontra seu sentido na escuta da Palavra e do ensinamento de Jesus. Nesse sentido, a ação seria um complemento da oração, ou seja, para se evitar a esterilidade do agir, a escuta se faz necessária.

O fato de o discípulo ouvir o que Jesus tem a falar não quer dizer, contudo, que isso confere maior dignidade a quem escuta, afinal a escuta deve estar acima de qualquer interesse. O ouvir é mais que isso. Trata-se de estar em comunhão com Jesus, na sua presença, como há de acontecer na efetivação do Reino de Deus em plenitude.

Portanto, nossa atividade de cristãos e cristãs deve estar pautada na comunhão com Cristo, como consequência da nossa escuta amorosa àquilo que ele tem a nos ensinar, a nos orientar. A ação deve ser fruto dum contato íntimo e atencioso com Jesus, caso contrário é vão nosso esforço e nossa ação. Que o Senhor nos ajude a estar sempre na sua presença a fim de percebermos nesse contato a necessidade de irmos ao encontro d’Ele que se dá em casa irmão e irmã sofrido e na natureza corrompida pelos poderes da opressão e da morte.

Frei Faustino dos Santos, OFM