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CARTA DO MINISTRO GERAL PARA O PRIMEIRO DIA MUNDIAL PARA OS POBRES

CARTA DO MINISTRO GERAL PARA O PRIMEIRO DIA MUNDIAL PARA OS POBRES

13 de novembro de 2017 
Memorial de São Didáquio de Alcalá 
Curia Geral, Roma

Caros Irmãos

Que o Senhor lhe dê a Sua paz!

No domingo 19 de novembro, no prelúdio para a celebração de Cristo Rei, o Papa Francisco queria instituir o ” primeiro dia mundial dos pobres ” como resultado do ano da misericórdia morada em 2016. Reconhecendo que, em oportunidades repetidas , vivemos o contraste entre palavras vazias presentes em nossas vidas e os fatos concretos que devemos enfrentar .

Como franciscanos, somos convidados a seguir a práxis do Irmão Francisco de Assis: “Quando vivi no pecado, parecia muito amargo ver os leprosos, e o próprio Senhor me conduziu entre eles e os tratava com misericórdia” (Teste 1-2) , de tal forma que esta celebração provoca um verdadeiro encontro com o empobrecimento do nosso tempo, fazendo com que isso compartilhe um estilo de vida diário em nossas fraternidades.

Nossa tradição evangélica franciscana afirma que estar com e no meio dos pobres tem raízes teológicas, porque reflete nosso relacionamento com Deus. Por esta razão, as palavras do discípulo amado “não amam a palavra e a boca, mas a verdade e as obras” (1 Jn 3,18) são atualizadas e fazem sentido em nossa maneira de viver o carisma.

Através desta carta, eu quero motivar e incentivá-lo a viver e celebrar o Dia Mundial proposto pelo Papa Francisco nas suas fraternidades e nos vários serviços pastorais e sociais que os irmãos realizam ao longo da Ordem.

Além das propostas concretas propostas pelo Papa Francis, gostaria de pedir aos irmãos para rever os projetos de assistência social que encontramos em muitas das presenças da Ordem, como uma oportunidade para discernir e conseguir que os pobres, nossos irmãos privilegiados, eles não são apenas receptores de nossa assistência, mas sujeitos de suas próprias vidas. E, com o nosso compromisso, juntos podemos colaborar para que eles sejam falsificadores de seu futuro, deixando a marginalidade de sua pobreza a que foram submetidos, produto de um sistema injusto que promove a cultura de descarte e desperdício, esquecendo-se do ser humano .

Aproveito a oportunidade para nos perguntar como ” pobres e menores, onde estamos ?”,”Encorajar e avaliar regularmente quão honesto, concreto e autenticamente vivemos como pobres e menores em meio aos pobres, para garantir que todas as entidades e fraternidades locais tornam-se comunidades de presença e solidariedade e serviço aos pobres “(Cf. Capítulo Geral 2015, Decisões , n.8)

Eu digo adeus encorajando-os a viver a eclesialidade proposta pelo Papa Francisco de uma Igreja missionária e no caminho para as periferias, como contribuição para a nova evangelização que busca responder aos problemas atuais.

Que o Espírito Santo continue a guiar a nossa Ordem e nos guiar no caminho da justiça, da paz e do bem comum.

Ir. Michael A. Perry, OFM 
Ministro geral e servo

Fonte: https://ofm.org/

COROA FRANCISCANA NO PELOURINHO

Com a oração da coroa das sete alegrias de Nossa Senhora e em procissão com a imagem de Nossa Senhora Aparecida, a fraternidade do Convento São Francisco e moradores do Centro Histórico de Salvador, celebraram o dia da Padroeira e Rainha do Brasil que comemora seu jubileu de 300 anos de aparição nas águas do Rio Paraíba do Sul em São Paulo. 


A procissão luminosa saiu do Convento São Francisco às dezoito horas e percorreu as ruas do Pelourinho meditando as alegrias de Maria Santíssima, acompanhada por poucas pessoas que com contos marianos manifestavam com a fraternidade franciscana a alegria de celebrar o dia da mãe Aparecida e ao mesmo tempo pediam sua maternal proteção. 


Durante o cortejo a imagem de Nossa Senhora e os fiéis foram acolhidos pela banda de percussão do grupo Meninos da Rocinha, que ao som forte dos tambores baianos, musicaram e rezaram a Virgem de Aparecida. 
A procissão e à oração da Coroa Franciscana foi concluída na Igreja de São Francisco e na despedida desse momento de fé e devoção foi servido o tradicional mungunzá baiano, assim afirmando o dito popular; “ na Bahia tudo termina em comida.

SAIBA MAIS SOBRE A COROA DAS SETE ALEGRIAS DE NOSSA SENHORA

A Coroa das Sete Alegrias de Nossa Senhora, chamada também de Coroa Seráfica ou Rosário Franciscano, compõe-se de sete mistérios, com um Pai-nosso, dez Ave-Marias e um Glória ao Pai, em honra das sete alegrias de Nossa Senhora, consubstanciadas nos seguintes principais mistérios:
1. No primeiro mistério consideramos a alegria de Nossa Senhora ao ouvir do Arcanjo São Gabriel que fora escolhida por Deus para ser Mãe do Salvador. (1 Pai-nosso, 10 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai)
2. No segundo mistério consideramos a alegria da Santíssima Virgem em casa de sua prima Santa Isabel, quando foi pela primeira vez saudada como Mãe de Deus.
3. No terceiro mistério consideramos o inefável gozo de Nossa Senhora no estábulo de Belém, quando seu Filho divino nasceu milagrosamente.

4. No quarto mistério consideramos a alegria de Nossa Senhora quando os três magos vieram de longe adorar o Menino Jesus e oferecer-lhe ouro, incenso e mirra
5. No quinto mistério consideramos a alegria de Nossa Senhora quando achou o Divino Menino no Templo entre os doutores.

6. No sexto mistério consideramos a alegria e o júbilo da Santa Mãe de Deus, quando, na manhã de Páscoa, viu seu Filho divino ressuscitado e glorioso.
7. No sétimo mistério consideramos a maior de todas as alegrias de Nossa Senhora, quando morreu santamente e foi levada aos céus, com corpo e alma, acima dos coros angélicos, à direita de seu Filho divino, que a coroou Rainha dos anjos e dos santos.
Do Devocionário Franciscano

Em 1442, no tempo de São Bernardino de Siena, se difundiu a notícia de uma aparição da Virgem a um noviço franciscano. Este, desde pequeno, tinha o costume de oferecer à bem-aventurada Virgem uma coroa de rosas. Quando ingressou entre os Irmãos Menores, sua maior dor foi a de não poder seguir oferecendo à Santíssima Virgem esta oferenda de flores. Sua angústia chegou a tal ponto que decidiu abandonar a Ordem Seráfica. A Virgem apareceu para consolá-lo e lhe indicou outra oferenda diária que lhe seria mais agradável. Sugeriu-lhe recitar a cada dia sete dezenas de Ave Marias intercaladas com a meditação de sete mistérios gozosos que ela viveu em sua existência. Desta maneira teve origem a coroa franciscana, Rosário das sete alegrias.
São Bernardino de Sena foi um dos primeiros a praticar e difundir esta devoção, que para ele era fonte de grandes favores. Um dia enquanto recitava esta coroa apareceu-lhe a Santíssima Virgem e com inefável doçura lhe disse que gostava muito desta devoção e o recompensava com milagres para converter os pecadores: “Te prometo fazer-te partícipe de minha felicidade no paraíso”. A coroa franciscana medita os sete gozos de Maria: a anunciação, a visita a Santa Isabel, o nascimento de Jesus em Belém, a adoração dos Magos, a apresentação de Jesus no templo e a manifestação de sua divindade entre os doutores do templo, a ressurreição de Jesus e sua aparição à Virgem, a vinda do Espírito Santo, a Assunção de Maria em corpo e alma ao céu, e a coroação de Maria como rainha do céu e da terra, medianeira de graças, mãe da Igreja e soberana do Universo.
Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

Fotos: Frei Artur Medeiros

Frades lançam nota em solidariedade às religiões afro

Confira abaixo a nota emitida pelo Secretariado Interprovincial Franciscano de Evangelização e Missão (SIFEM), em nome dos Frades Menores do Brasil, em solidariedade às religiões de matriz afro e repudiando a crescente violência aos terreiros. Leia abaixo:

FRANCISCANOS MANIFESTAM SOLIDARIEDADE AOS TERREIROS E REPUDIAM VIOLÊNCIA CONTRA RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA

Na raiz do Evangelho da misericórdia, o encontro e a recepção do outro entrelaçam-se com o encontro e a recepção de Deus: acolher o outro é acolher a Deus em pessoa! (Papa Francisco)

A Ordem dos Frades Menores do Brasil, através do SIFEM (Secretariado Interprovincial Franciscano de Evangelização e Missão) e do Serviço de “Justiça, Paz e Integridade da Criação” – (JPIC), serviços que mantêm trabalhos e parcerias com as denominações religiosas abertas ao diálogo inter-religioso, vem a público manifestar sua solidariedade com os terreiros das religiões de matriz africana, atacados nas últimas semanas no RJ e em outros locais no Brasil.

Infelizmente, atos como estes aumentaram brutalmente nos últimos anos em nosso país juntamente com o retrocesso no campo dos direitos humanos. Em novembro de 2016, o grupo GEDHDIS (Grupo de Atuação Especial de Combate à Discriminação) do Ministério Público da Bahia registrou o aumento em 300% de denúncias em relação ao ano anterior, ligadas à intolerância e ao racismo religioso.

Em 2019, nós, franciscanos, vamos celebrar 800 anos do significativo encontro entre São Francisco de Assis e o Sultão Al-Malik al-Kamil. Um encontro que marcou a história dos cristãos e a abertura para acolher o sagrado, presente na fé do outro, com respeito e dignidade.

Sendo assim, repudiamos, toda e qualquer forma de intolerância, de ataque ou de discriminação por conta de crenças e de profissão de fé, e nos solidarizamos com os irmãos e irmãs agredidos pela violência e pela intolerância. Nós cristãos, aprendemos de Jesus que devemos “amar-nos uns aos outros como Ele mesmo nos amou” (Jo 15). Estes que aparecem nas redes sociais agredindo em nome da fé, bem como aqueles, que usam os diversos meios de comunicação para disseminar as práticas de ódio e de intolerância jamais conheceram verdadeiramente o rosto de Deus apresentado por Jesus.

SIFEM – SECRETARIADO INTERPROVINCIAL FRANCISCANO DE EVANGELIZAÇÃO E MISSÃO

Executiva Nacional

Pela Executiva do SIFEM:

Frei César Külkamp
Frei Flávio Pereira Noleto
Frei Gilmar Nascimento da Silva
Frei Luís Alberto Méndez

Pelo JPIC:

Frei Luís Alberto Méndez
Frei Benedito Lemes

São Paulo, 29 de setembro de 2017.

http://www.franciscanos.org.br/?p=142628

FESTA DE SÃO FRANCISCO 2017FESTA DE SÃO FRANCISCO 2017

“Irmãs e irmãos, Paroquianos e Romeiros de São Francisco das Chagas, ‘O Senhor lhes dê a Paz!'”

Festa de São Francisco das Chagas deste ano se reveste de um significado todo especial, pois além de estarmos celebrando os duzentos anos de criação da Paróquia de São Francisco das Chagas de Canindé, também celebramos o centenário da consagração de nossa matriz como Santuário. São Francisco era um homem feliz por ser filho desta Igreja de Jesus Cristo. Toda sua vida foi seguir Jesus e testemunhá-Lo, vivendo uma vida humilde, comprometida com os pobres e enfermos, dando sentido à vida de muita gente que não tinha mais sentido para viver e cuidado com carinho de tudo o que Deus criou, pois era grande seu amor pela criação. O tema da festa deste ano – FRANCISCO, RESTAURA A MINHA IGREJA! –, é uma tarefa e um compromisso nosso, frades, religiosos e religiosos, leigos e leigas engajados, de fortalecer a vida eclesial dos romeiros e romeiras de São Francisco. Quem vem a Canindé e faz uma experiência de Deus com São Francisco, volta para seu lugar de origem mais católico, mais disposto a ser um cristão engajado em sua comunidade eclesial, mais comprometido com a vida, com a justiça e a paz. É o que nos inspira e nos ensina São Francisco ainda hoje. É a grande e principal missão da Paróquia-Santuário de São Francisco das Chagas de Canindé!

Confira o SITE http://festadesaofrancisco.com/ criado para a festa de 2017: 

A Fraternidade Franciscana de Canindé,

Frei Marconi Lins de Araújo, OFM – Pároco e Reitor do Santuário

Arcanjos são companheiros de vida, diz o Papa

Cidade do Vaticano (RV) – Nós e os anjos temos a mesma vocação: “cooperar juntos para o desígnio de salvação de Deus”. Foi o que disse o Papa na homilia da missa celebrada na Casa Santa Marta, por ocasião da Festa dos três arcanjos Miguel, Rafael e Gabriel:

“Somos – por assim dizer – ‘irmãos’ na vocação. E eles estão diante do Senhor para servi-lo, louvá-lo e também para contemplar a glória do rosto do Senhor. Os anjos são os grandes contemplativos. Eles contemplam o Senhor; servem e contemplam. Mas também o Senhor os envia para nos acompanhar no caminho da vida.”

Em especial, Miguel, Gabriel e Rafael, explicou Francisco, têm um “papel importante no nosso caminho rumo à salvação”. “O Grande Miguel é que declara guerra ao diabo”, ao “grande dragão”, à “velha serpente” que “perturba a nossa vida” , seduz “toda a terra habitada” assim como seduziu a nossa mãe Eva com argumentos convincentes e, depois, quando caímos, nos acusa diante de Deus:

“Mas coma o fruto! Lhe fará bem, lhe fará conhecer muitas coisas”… E começa, assim como a serpente, a seduzir, a seduzir … E depois, quando caímos nos acusa diante de Deus: “É um pecador, é meu!”. Ele é meu: é justamente a palavra do diabo. Nos vence com a seduação e, depois, nos acusa diante de Deus: “É meu. Eu o levo comigo”. E Miguel declara guerra. O Senhor lhe pediu que declarasse guerra. Para nós que estamos em caminho nesta vida rumo ao Céu, Miguel nos ajuda a declarar guerra ao diabo, a não nos deixar seduzir.

É um trabalho de defesa que Miguel faz pela “Igreja” e por “cada um de nós”, diferente do papel de Gabriel, “o outro arcanjo de hoje”, aquele que, recorda o Papa, “traz as boas notícias; aquele que levou a notícia a Maria, a Zacarias, a José”: a notícia da salvação. Também Gabriel está conosco, assegura ainda o Papa, e ajuda-nos no caminho, quando “esquecemos” o Evangelho de Deus, que “Jesus veio conosco” para nos salvar.

O terceiro arcanjo que celebramos hoje é Rafael, aquele que “caminha conosco” e que nos ajuda neste caminho: devemos pedir-lhe, é o convite do Papa, para nos proteger da “sedução de dar um passo errado”.

Eis, então os nossos companheiros ao serviço de Deus e da nossa vida que Francisco hoje nos ensina a rezar de maneira simples:

“Miguel, ajude-nos na luta; cada um sabe qual luta tem em sua vida hoje. Cada um de nós conhece a luta principal, que faz arriscar a salvação. Ajude-nos. Gabriel, traga-nos notícias, traga-nos a Boa Notícia da Salvação, que Jesus está conosco, que Jesus nos salvou e nos dê esperança. Rafael, segure a nossa mão e nos ajude no caminho para não errarmos a estrada, para não permanecermos parados. Sempre caminhando, mas ajudados por você”.

Fonte: http://br.radiovaticana.va/news/2017/09/29/arcanjos_s%C3%A3o_companheiros_de_vida,_diz_o_papa/1339702

Santuário de São Francisco de Canindé em Festa!

Às 3 horas desse domingo (24), uma grande multidão já estava à espera e outras centenas de pessoas continuavam chegando. São Franciscos e Franciscas que não temem a jornada e de qualquer maneira vem ver São Francisco. Caminharam vários quilômetros ou dormiram no chão a céu aberto em um gesto de humildade e gratidão ao santo protetor. O início das comemorações da Festa de São Francisco, em Canindé, foi marcado mais uma vez pela fé e devoção dos fiéis.

Antes da celebração, as mãos disputavam espaços em meio ao tecido santo. Nem mesmo o cansaço da madrugada, acomodou os fiéis, que fizeram questão de permanecer junto ao símbolo de fé e devoção do povo nordestino. Muitos rezaram e agradecerem e muitos choraram. Tudo para estar perto da bandeira franciscana que permanece hasteada até o dia 4 de outubro. Ao amanhecer de hoje, quando teve início à edição 2017 da Romaria de São Francisco das Chagas, em Canindé, a 126 km de Fortaleza.

Por volta das 4h da manhã, os frades franciscanos deixaram o interior da Basílica em direção ao altar e deram início à cerimônia. O pároco de Canindé, Frei Marconi Lins. Houve o hasteamento das três bandeiras (Brasil, Canindé e São Francisco), enquanto a banda da cidade do maestro J. Ratinho tocava os hinos de louvores.

Recepcionados na Praça da Basílica pela banda Vozes do Santuário, os peregrinos aguardavam o início da missa que daria assim o anúncio aos dez dias de homenagens ao santo que em vida imitou Jesus Cristo e se tornou o espírita mais evoluído da história.

O primeiro momento de demonstrar o apego a São Francisco das Chagas, antes da celebração eucarística foi o hasteamento da bandeira do santo, acompanhada das bandeiras de Canindé e do Brasil. Vários romeiros tentavam a todo custo beijar ou, pelo menos, tocar no tecido, em uma manifestação apaixonada de oração ao santo protetor. “É muito amor que tenho por São Francisco. Ele já realizou muitas bênçãos na minha vida e eu preciso agradecer a ele por tudo”, declara Maria Alice Frota, 43 anos, dona de casa, após um rápido toque na bandeira.

Colaborou com texto: Antônio Carlos Alves.

Publicação de conteúdos de mídias: Equipe de Comunicação de Mídias/P@scom.

 

Oração a São Francisco de Assis, do Cardeal Montini

Todos aprendemos a apreciar e admirar  o Papa Paulo VI, homem que teve a missão de implementar  as grandes decisões e inspirações  do  Vaticano  II.  Homem de coragem, e  íntimo de Deus. Dele é esta Oração a  São Francisco, escrita em 1958, quando era o cardeal  João  Batista Montini  de Milão e não o Bispo de Roma.

Francisco,  ajuda-nos a  extirpar dos bens econômicos  seu triste poder de  fazer com que percamos a Deus, nossa alma e a estima de nossos concidadãos.

Não podemos deixar de levar em consideração a vida econômica. Ela é fonte de nosso pão e dos demais.  A vocação de nosso povo está na linha  de trabalhar os bens da terra que são obra de Deus, lei iniludível de  nosso mundo e de nossa história.

Francisco, é possível manejar os bens econômicos sem que eles nos tornem vítimas ou prisioneiros seus? É possível conciliar nossa necessidade e ânsia dos bens econômicos com o cuidado da vida do espírito e do amor?  Será possível certa amizade  entre a “senhora economia” e a “senhora pobreza”?

Ou estamos inexoravelmente  condenados, em razão das terríveis palavras de Cristo:  “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus?

Santo Ambrósio já nos havia dito aquelas palavras terríveis:  “Ó rico, tu não sabes quão pobres és!”. Não as evocamos mais e na verdade nunca chegamos a bem compreendê-las.

Tu mesmo, Francisco,  não  ensinaste a teus frades a trabalhar, mendigar e assim buscar os bens econômicos  dos quais a vida humana não pode ser privada?

Diante de ti, Francisco,  pedimos  um raio de luz, mesmo que seja um breve relâmpago,  que incida sobre a questão da riqueza  pela qual somos apaixonados, uma claridade que nos permita ver, serenamente, os grandes perigos que os bens econômicos podem consistir para nossas nossas vidas: avareza e o  egoísmo.  Disso nos lembremos e tenhamos a coragem de denuncia-los.

Francisco, que tua pobreza venha a ser nossa amiga e nossa mestra;  isso deve ser lembrado aos que colocam nos bens materiais sua máxima esperança. Que uns e outros  nos desapeguemos do exagero amor aos bens terrestres. Os bens econômicos são bons quando são meios para os caminhos do espírito, quando são espelhos que refletem a beleza, a bondade e a providência de Deus, assim como tu,  Francisco, a decantaste no  Cântico das Criaturas.

http://www.franciscanos.org.br/?p=142352

Saudades do silêncio

Há ruídos demais.  Sons dos veículos, da tagarelice, das músicas sem beleza.  Há gritos dentro de cada um de nós que abafam nosso eu mais interior.  Tudo é zoada. Ficamos surdos e 

não sabemos mais falar de verdade. Nosso interior foi se esvaziando de nós mesmos. Quando falamos, o que dizemos é insignificante. Tornamo-nos seres vazios de nós mesmos e não escutamos mais a voz do Mistério.

Há esse barulho exterior. Carros, gritos, berros. E esse nosso “eu” perdido e sufocado. Perdido. Mesmo quando percorremos áreas de silêncio exterior temos medo do “barulho” do silêncio. O silêncio nos incomoda. Além da invasão do barulho exterior há esses gritos interiores. Essa falta de coragem de vermo-nos e ouvirmo-nos. Nas praças, nos restaurantes, até mesmo nas capelas as pessoas estão em rede, comunicando, deixando que os ruídos interiores as entorpeçam. As pessoas querem se comunicar, mostram suas ideias nem sempre aproveitáveis e até mesmo exibem o corpo com certo despudor. Tudo leva a uma excitação sem nome. Como não ficar “louco” com tantas informações? Temos  saudade do silêncio. Ou não?

Viemos de um silêncio eterno que os místicos chamam de “nada”. Esta experiência fundadora culmina no seio materno onde, como reza um midrash judaico, conhecemos toda a Torá sem haver escutado ou pronunciado sequer uma palavra. Somos também o único animal da criação sabedor, de ciência certa, que nosso destino final é esse mesmo silêncio eterno que representamos com a imagem de um desaparecimento total ou simplesmente com um além. Somos silêncio, cidadãos do silêncio, viandantes angustiados e apressados, em caminho de volta para esse nossa verdadeira pátria.  Tudo o mais é ilusão  (Simón Pedro  Arnold, OSB, , Revista  Testimonio,  Chile, p. 35).

Como acontece com o ar, meio onde a luz se propaga e vibram infinidades de ondas, como o fogo que aquece e ilumina, como a terra que nos sustenta e alimenta, o silêncio é elemento vital indispensável para nossa “subsistência” espiritual, para nosso equilíbrio interior, para a paz e a inteligência do coração e da alma. É também elemento raro, sutil e frágil que precisa ser procurado e buscado e fertilizado com todo carinho para que venha a ter viço e fecundidade.  O ar viciado é irrespirável, o fogo mal cuidado morre ou tudo destrói, a água poluída se torna veneno e a terra descuidada torna-se estéril; da mesma forma o silêncio  – e a solidão à qual está vinculado  – precisa ser desejado, respeitado e cultivado  com atenção e paciência para se transformar  em puro espaço de concentração, de meditação e de sonho. Se quisermos perceber, por mais tenuemente que seja, o pulsar do mundo, o sopro que sustenta o Invisível, algum eco colhido  no cantar dos confins, será preciso desenvolver a acústica do silêncio”  (Sylvie  Germain).

O silêncio num momento de tristeza fala mais do que as palavras. Quando perdemos um ente querido, frases de condolência são completamente impotentes. Queremos confortar o outro com nossa ternura e delicadeza, mas nossas tentativas serão em vão.  No melhor dos casos expressarão gentileza e afeto pessoal, mas não terão o poder curativo que tem o silêncio.  Nessas horas, um abraço silencioso diz mais do que qualquer protocolo ou fórmula  praticados na presença do corpo daquele que se foi. Alguns dizem: “Era a hora dele”, outros, “meus sentimentos”, “rezarei por ele, “Deus o chamou”, ou mesmo, “agora ele descansou”. Todo esse rosário de expressões bem-intencionadas, ditas de coração, são muito pouco quando comparadas com a força comunicativa  de um abraço silencioso, porque no abraço os dois corpos se unem em um só e as distâncias desaparecem.   Consequentemente, a empatia é a maior possível. É preciso ter a coragem de calar  quando o silêncio é mais expressivo que as palavras. Muitas vezes falamos para evitá-lo, já que ele nos desnuda, nos desarma, enquanto as palavras distraem, entretêm.  Por isso é preciso se despir  das vestes das palavras e encontrar-se nu diante do outro  (O valor de ter valores, Francesc  Torralba,  Vozes, p.  85-86).

O homem moderno já acha  difícil estar só; ir em busca  dos  fundamentos do seu próprio eu é quase impossível para ele. E quando alguma vez permanece consigo mesmo no cantinho silencioso, e estiver quase  chegando ao conhecimento de Deus, ele liga o rádio ou a televisão (Thomas Merton).

http://www.franciscanos.org.br/?p=141673

 

 

 

 

 

Consolo não é diversão, mas paz do Senhor

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa começou a semana celebrando a missa na capela da Casa Santa Marta (25/09). Em sua homilia, Francisco comentou a Primeira Leitura, que narra o momento no qual o povo de Israel é libertado do exílio: “o Senhor – destacou o Pontífice – visitou o seu povo e o conduziu de volta a Jerusalém”. A palavra “visita”, explicou, é “importante” na história da salvação, porque “toda libertação, toda ação de redenção de Deus é uma visita”:

Quando o Senhor nos visita nos dá a alegria, isto é, nos leva a um estado de consolação. Este dar alegria… Sim, semearam nas lágrimas, mas agora o Senhor nos consola e nos dá esta consolação espiritual. E a consolação acontece não só naquele tempo, é um estado na vida espiritual de todo cristão. Toda a Bíblia nos ensina isso”.

O Papa exortou a “esperar”, portanto, a visita de Deus “a cada um de nós”. Existem “momentos mais fracos” e “momentos mais fortes”, mas o Senhor “nos faz sentir a sua presença” sempre, com a consolação espiritual, enchendo-nos “de alegria”.

Neste sentido, esperar este evento com a virtude “mais humilde de todas”: a esperança, que “é sempre pequena”, mas “tantas vezes é forte quando está escondida como as brasas sob as cinzas”.

Assim, o cristão vive “em tensão” pelo encontro com Deus, pela consolação “que dá este encontro com o Senhor”.

Se um cristão não está em tensão por tal encontro é – acrescenta o Papa – um cristão “fechado”, “meio que no depósito da vida”, sem saber “o que fazer”.

O convite, então, é para “reconhecer” a consolação, “porque existem falsos profetas que parecem nos consolar, mas pelo contrário, nos enganam”. Esta não é “uma alegria que se pode comparar”:

A consolação do Senhor toca dentro e te move, faz aumentar em ti a caridade, a fé, a esperança e também te leva a chorar pelos [teus] próprios pecados. E também quando olhamos para Jesus e para a Paixão de Jesus, chorar com Jesus. E também te eleva a alma para as coisas do Céu, para as coisas de Deus e também, acalma a alma na paz do Senhor. Esta é a verdadeira consolação. Não é um divertimento – o divertimento não é uma coisa má quando é bom, somos humanos, devemos tê-lo -, mas a consolação te envolve e justamente a presença de Deus se sente e se reconhece: este é o Senhor”.

O Papa recorda de agradecer – com a oração – o Senhor “que passa” para nos visitar, para nos ajudar a “a ir para frente, para esperar, para carregar a Cruz”. Enfim, pede para conservar a consolação recebida:

“É verdade, a consolação é forte e não se conserva assim forte – é um momento – mas deixa seus traços. E conservar esses traços, e conservar com a memória; conservar como o povo conservou esta libertação. Retornamos a Jerusalém porque Ele nos libertou de lá. Esperar a consolação, reconhecer a consolação e conservar a consolação. E quando esse momento forte passa o que permanece? A paz. E a paz é o último nível da consolação”. (BF-JE-SP)

http://br.radiovaticana.va/news/2017/09/25/papa_consolo_n%C3%A3o_%C3%A9_divers%C3%A3o,_mas_paz_do_senhor/1338810

Francisco e Clara de Assis não venderam sonhos

Não há misericórdia em lutas ideológicas que chegam à violência. Não há misericórdia se não sair para as periferias existenciais que são mais do que bairro, rua, espaço de cidade ou campo, centros urbanos ou lugares de tensões. A periferia existencial é o vazio da vida, a falta de sonho, de utopias, de esperanças que está nestes lugares e nos corações das pessoas. Tem muita gente que tem mansão confortável, cheia de móveis luxuosos, freezers cheios de comida, dinheiro no banco e no luxo, mas sem felicidade ou projetos para dar a vida um sentido maior. Tem tudo, mas precisam de vícios e experiências traumáticas e excesso de antidepressivo. Há periferia existencial na pobreza material dentro das periferias materiais.

Tem que haver mais misericórdia nas Igrejas e aqui vamos incluir a nossa; pois religião não pode ser um produto bonito e bem embalado para ser divulgado e vendido. Francisco e Clara de Assis não venderam sonhos, nem esperança, nem Deus, nem religião. Nossas liturgias não podem ser um remédio psicotrópico relaxante, cheias de louvores emocionais e ardor neomísticos, mas com pouco Amor pela doutrina social da Igreja e pela mística do Evangelho que deseja conduzir o ser humano a uma experiência de esperança profunda e de uma humanização profunda. Menos gospel e mais proximidade com o doente, com a viúva, criança, idoso e portadores de necessidades especiais.

Somos evangelizadores, discípulos e missionários da Misericórdia e não cidadãos turistas que fazem viagem para discutir economia global e política internacional em lugares exóticos, vendo filmes de arte/cabeça, passeando por lugares calmos e paradisíacos, longe do barulho e dos traumas dos centros urbanos e periféricos. Misericórdia é visitar o Pinel, o Juqueri, visitar a sua rua e saber de seu bairro. É bom sofrer em Paris, mas reconstruir o espaço público mais próximo quem quer?

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