O que o Espírito diz à Igreja

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Domingo passado tivemos a festa de Pentecostes, o nascimento da Igreja. Fundada por Jesus, a Igreja aparece ao mundo sob a ação da terceira pessoa de Deus, o Espírito Santo. Antes, com medo, trancados e medrosos, os apóstolos são como uma semente ainda lançada à terra. Não brotou ainda.

Assim como o nascimento de uma criança traz aquela alegria para os pais, os vizinhos, os amigos, o nascimento da Igreja foi um espetáculo tão sensacional que atraiu multidões. Basta a gente ler nos Atos dos Apóstolos o capítulo 2 para sentir como toda a cidade de Jerusalém é abalada pelo vento impetuoso (Ruah) vindo do céu, o Espírito Santo. Jerusalém inteira converge para onde se acham os apóstolos. Lá estão pessoas das mais variadas direções do mundo: partos, medas, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e Capadócia, do Ponto e da Ásia, Frígia e Panfília, Egito e distritos da Líbia junto a Cirene, romanos residentes, judeus e prosélitos, cretenses e árabes…(Atos dos Apóstolos 2,8-11).

Todos se perguntam, atônitos, sobre o que está acontecendo. A presença e ação do Espírito Santo em línguas de fogo sobre os apóstolos é um espetáculo jamais visto. É bom recordar que não se tratou de um acontecimento transitório.  Os apóstolos deram início à ação missionária da Igreja. A terceira pessoa de Deus os guiava para levarem a pregação do Evangelho aos mais variados rincões do globo terrestre.

Quero agora dar um pulo no tempo e cair naquele período de 1962(11 de outubro)-1965(8 de dezembro, quando, convocados e sob a orientação do papa São João XXIII, o bispos do mundo inteiro realizaram o Concílio Vaticano II. A Igreja precisava muito voltar às suas origens, voltar aos tempos do começo da vinda do Espírito Santo. Ele quer estar sempre presente na orientação da Igreja. Não quer tirar férias.

Divina e humana, a Igreja facilmente esquece do dinamismo vindo do céu e se adapta às organizações temporais de forma exagerada, não dando mais vez à ação do Espírito Santo. João XXIII, convocando o Concílio Vaticano II, quer que haja um novo Pentecostes para renovar a Igreja. Eu me lembro: pertencia ao convento de Cairu (Bahia), cuidava das paróquias de Taperoá e Nilo Peçanha (Bahia). Meia-noite do dia 10 para o dia 11 de outubro, eu celebrei uma missa para o povo em Taperoá, pedindo a Deus inspiração aos bispos reunidos em Roma para que, guiados pelo Espírito Santo, descobrissem meios de colocar a Igreja no caminho de uma grande renovação. A Igreja continua necessitada de forma permanente de ser fiel ao seu fundador, Jesus Cristo, sempre em obediência ao sopro do alto.

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Frei Antônio Góis, OFM

jaggois@yahoo.com.br