A Igreja em construção

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A 16 de março de 1980 inaugurei a igreja de São Pedro Pescador no bairro mais pobre de Aracaju daquela época. Tudo em torno da construção estava sob o meu comando. Eu dizia que fiz muito calo no juízo. Já a Igreja de pedras vivas (1 Pedro 2,4-5), jamais será inaugurada na terra. Só estará pronta no final dos tempo na parusia (1Pd 2,12), quando Cristo vier a segunda vez…

Assim como uma árvore, a Igreja é um organismo vivo. É normal numa árvore folhas secas caírem. A Igreja, com a vida e a força do Espírito Santo, evolui, está em construção de forma permanente; é destinada a crescer. Deixa também para trás tudo que pertence ao tempo. E os tempos evoluem. Uma igreja material é reformada de vez em quando. A Igreja de Jesus Cristo, para ser fiel ao seu Fundador, tem que estar em reforma permanente. Ideal seria não haver momentos de marasmo na Igreja, com aconteceu tantas vezes na história do povo de Deus no Antigo Testamento, com tantas infidelidades da parte do povo escolhido por Deus.

Uma pequena história diz que uma pessoa perguntou a três operários sobre sua atividade em quebrar pedras. “O que é que o Sr. está fazendo?”  O primeiro respondeu alterado: “Estou neste trabalho miserável me consumindo. Estou fazendo calos, suando deste  jeito. É uma coisa horrível.”  O segundo operário disse: “Eu estou feliz. Estou ganhando o pão para a minha família”. O  terceiro operário respondeu assim: “A minha alegria é grande. Estou trabalhando na construção de uma igreja”.

Ora, a Igreja em construção é a Igreja fundada por Jesus Cristo. Ela cresce a depender da fé e fidelidade de cada cristão. Em 1963 eu pregava santas missões. Em Itacuruba, às margens do rio São Francisco, lá no sertão de Pernambuco, a santa missão foi uma maravilha. A população toda participava de forma bonita. Muita gente se confessava e recebia a sagrada comunhão. Em Itacuruba sempre houve catequistas.O povo era consciente de sua fé. Já em outro lugar, também às margens do rio São  Francisco, o povo não sabia bem de que se tratava. Lá nunca havia catequistas.

Depois de dois mil anos da vinda de Cristo, grande parte da humanidade ainda está sobrando, não conhece o Evangelho. A própria Igreja, quando se apega a coisas temporais, se torna barreira ao seu crescimento. São Francisco de Assis ainda está construindo a Igreja através dos seus seguidores. Nem sempre o testemunho cristão é bem aceito. Nem sempre é fácil fazer a Igreja crescer. O testemunho maior é o martírio. Cada geração tem sua responsabilidade. Não esperar só que o papa e os bispos façam sua parte. Oxalá o tempo do clericalismo não volte. O Concílio Vaticano II diz que a  Igreja é povo de Deus. Sem esta consciência, a Igreja, se crescer um pouquinho, será com muita dificuldade. Tangida pelo vento vindo do céu, o Espírito Santo, a Igreja será uma sensação, um imenso acontecimento simpático a toda a humanidade. Está em nossas mãos apressar esta alegria.

Frei José Antônio de Góis, OFM

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