Os jogos olímpicos e os cristãos

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Eu não tive condição de ver ontem na televisão o encerramento dos jogos olímpicos no Rio de Janeiro. Tenho consciência que perdi um grande espetáculo. Se pela televisão, desde os primeiros dias deste mês de agosto de 2016 até ontem, dia 21, cerca de três bilhões pessoas espalhadas em todos os continentes se divertiram com tantas e variadas acrobacias, posso pensar na lacuna, no vácuo que significa seu encerramento. Só d’aqui a quatro anos poderemos voltar a desfrutar deste tão belo espetáculo.

Foi aí que eu me lembrei que a Igreja,os cristãos temos de botar a mão na consciência, se não temos sido para a humanidade um espetáculo infinitamente maior que qualquer outro em todo o mundo. O Papa João XXIII queria que o Concílio Vaticano II fosse o começo de um novo e permanente pentecostes. E o que foi o pentecostes em Jerusalém? Veio do céu um vento tão impetuoso (Ruah) que provocou um barulho ensurdecedor tão grande que cada pessoa deixava, de repente, seus afazeres, saia à rua para tomar consciência do que estava acontecendo. E este ruah, vento vindo do mais alto dos céus, transformou de repente aqueles homens de simples pescadores em grandes e atraentes pregadores. Eles pregavam tão bem que cada pessoa os ouvia na sua própria língua.Quem quiser aprofundar-se mais,leia Atos dos Apóstolos 2,1-13. Se para os jogos olímpicos os atletas se preparam com exercícios cansativos durante muito tempo, os apóstolos de  repente se tornaram mais que atletas merecedores de medalhas de metal mais precioso do que ouro.

Acontece que o pentecostes permanente da Igreja exige mais que simples treinamento físico. Exige muitas vezes um testemunho tão grande que chamamos martírio. Na história da Igreja temos a alegria de constatar um número muito elevado de mártires, pessoas que deram sua vida pela fé em Deus, a exemplo de Jesus na cruz.

Então,a lacuna deixada pelos jogos olímpicos pode e deve ser preenchida pelo espetáculo extraordinário da vida dos cristãos. Isto só será possível se nós cristãos nos tornarmos mais que atletas da fé. Assim como o atleta passa por vários exercícios físicos antes de ser digno de receber um grande prêmio, nós cristãos lutamos por uma causa infinitamente superior: a salvação de toda a humanidade. Se imitarmos os primeiros cristãos, sendo um só coração e uma só alma(Atos 2,42-47), estaremos atraindo as pessoas para fazerem parte do nosso grupo. Com os olhos fixos em Cristo(Hebreus  12,1-3), corremos para o certame que nos é proposto mesmo até com sacrifícios a exemplo de Jesus na cruz. Em 1 Cor 9,24-26 lemos que os atletas nas olimpíadas suam por uma coroa perecível. Mas nosso afã é por uma coroa imperecível.  Concordamos com a pergunta do livro da Sabedoria 5,7-8 se adiante se afadigar pelas veredas da iniquidade, longe dos caminhos do SENHOR.

Algum tempo atrás, aqui em Aracaju, no mercado, na parte frequentada  mais por turistas,vi  uma placa com os dizeres:”EVITE RESSACA MANTENHA-SE BÊBADO. Isto me deixou muito pensativo sobre a situação de toda a humanidade,que está sempre numa ressaca terrível.Quanta crise! Quanta coisa está desarrumada!? Quando o Espírito Santo veio sobre os apóstolos e os ouvintes se admiraram demais com suas palavras, o apóstolo Pedro informa que eles não estavam embriagados, mas cheios do SOPRO do alto. Este mesmo VENTO do céu continua a soprar sobre toda a Igreja e sobre cada cristão. E a humanidade, ainda sem rumo certo, aspira ansiosamente  por pessoas convincentes para se deixar contagiar.

Quero concluir com o exemplo tão lindo do apóstolo Paulo, que diz:”Chegou o tempo da minha partida. Combati o bom combate, terminei minha carreira, guardei a fé. Desde já me está reservada a coroa da justiça, que me dará o meu SENHOR, justo Juiz naquele dia; e não somente a mim, mas a todos que esperaram com amor sua aparição”(2 Cor 4,6-8).

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Frei José Antônio de Góis, OFM

 jaggois@yahoo.com.br

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