A quem servimos: a Deus ou ao dinheiro?

Liturgia Dominical

A liturgia desse domingo nos apresenta um tema bastante necessário, embora pouquíssmo levado em conta: de que modo administramos nossos bens materiais e qual grau de importância ele ocupa na nossa vida em detrimento aos valores eternos que tão bem nos ensinou Jesus?

A primeira leitura retirada do livro do profeta Amós (8,4-7) apresenta a história do povo que deixou de lado o sentido de se celebrar o sabático e a libertação do Egito, e, mesmo oferendo cultos e sacrifícios suas vidas eram incoerentes porque exploravam os pobres no comércio. Há, no fundo, uma forte crítica de Amós pela incoerência entre aquilo que eles celebram e sacrificam e a vida moral, quando esquecem de serem justos na vida cotidiana como uma exigência e até prolongamento da celebração. A quem se serve de verdade, ao Senhor que libertou a todos da escravidão ou aos meus interesses de opulência e ganância?

Na segunda leitura, retirada da Primeira Carta de Paulo a Timóteo, o apóstolo lembra que é necessário orar para que chegue a todos o conhecimento da verdade, e isso também serve para os que governam as nações. Trata-se da clareza de que a fé é universal e não restrita a grupos ou comunidades, pois para Deus não existe restrições de privilégios, Ele quer salvar a todos e já o fez de uma vez por todas em Jesus Cristo.

O Evangelho, por sua vez, nos trás uma mensagem bastante direta que nos deixa reflexivos: a quem servimos, a Deus ou ao dinheiro? Não se trata do desprezo dos bens materiais como sendo desnecessários ao homem, afinal não sobreviveríamos caso deixássemos de lado o usufruto dos bens. Contudo, há uma severa advertência sobre o uso dele, o que de fato colocamos no centro da vida.

Deus nos ensina, por Jesus, a optamos pela melhor parte porque compreenderemos que o material deve servir ao homem para subsisti-lo vitalmente e para que este seja sensível às injustiças da vida e a desigualdade. Os meios de consumo, ganância e poderio opressor só distanciam cada vez mais a humanidade da salvação eterna. Se tudo o que temos e conseguimos materialmente não contribuir para essa libertação, então estaremos subjulgados à dominação do individualismo que gera egoísmo e tantas injustiças.

Deus nos ajude a sermos solidários e fraternos uns com os outros e que cada coisa que recebemos sejam restituídas a Ele com partilha e gratidão.

Frei Faustino dos Santos, OFM