Confiar na bondade de Deus

Liturgia Dominical

José Antonio Pagola

Estou cada vez mais convencido de que muitos dos que se dizem ateus são pessoas que, quando recusam a Deus, na verdade estão recusando um “ídolo mental” que se fabricaram quando eram crianças. A ideia de Deus que trazem em seu interior e com a qual viveram durante alguns anos tornou-se pequena. Num certo momento, esse Deus tornou-se para elas um ser tão estranho, incômodo e molesto que prescindiram dele.

Não me custa nada compreender essas pessoas. Dialogando com algumas delas, lembrei-me mais de uma vez daquelas palavras acertadas do patriarca Máximos IV durante o Concílio: “Eu também não creio naquele deus em que os ateus não creem”. Na realidade, o deus que alguns suprimiram de suas vidas é uma caricatura que se formaram falsamente dele. Se esvaziaram sua alma desse “deus falso”, não será para dar lugar algum dia ao Deus verdadeiro?

Mas, como pode hoje uma pessoa encontrar-se com Deus? Se ela se aproximar de nós que nos dizemos crentes, certamente vai encontrar-nos rezando, não ao Deus verdadeiro, mas a um pequeno ídolo sobre o qual projetamos nossos interesses, medos e obsessões. Um Deus do qual pretendemos apropriar-nos e ao qual tentamos utilizar para nosso proveito, esquecendo sua imensa e incompreensível bondade para com todos.

Jesus rompe com todos os nossos esquemas, quando nos apresenta na Parábola do “Senhor da Vinha” esse Deus que “dá a todos sua diária”, quer a mereçam ou não, e diz assim aos que protestam: “Vais ter inveja porque Eu sou bom?”

O que temos a fazer é esquecer-nos de nossos esquemas, fazer silêncio no nosso interior, escutar até o fundo a vida que palpita em nós … e esperar, confiar, deixar aberto nosso ser. Deus não se oculta indefinidamente a quem o busca com coração sincero.

Trecho do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, de José Antonio Pagola, Editora Vozes.