28º Domingo do Tempo Comum, ano A

 

 

 

Oração: “Ó Deus, sempre nos preceda e acompanhe a vossa graça para que estejamos sempre atentos ao bem que devemos fazer”.

1. Primeira leitura: Is 25,6-10a

O Senhor dará um banquete

e enxugará as lágrimas de todas as faces.

O texto da primeira leitura faz parte do assim chamado “pequeno apocalipse” do livro de Isaías (cap. 24 a 27). São textos elaborados por discípulos do Profeta após o exílio da Babilônia. A leitura de hoje é precedida por um hino que ilustra a destruição de uma cidade anônima (símbolo da violência) pela ação divina (25,1-5); e é seguida por um canto de ação de graças no qual Israel glorifica a realeza de Deus (25,9-12). Deus não perdeu o controle dos eventos históricos. Pelo contrário, armou o braço de Ciro, rei dos persas, que pôs fim ao domínio dos babilônios e permitiu o retorno dos exilados à sua terra. Israel voltou a “este monte” (três vezes!), isto é, ao monte Sião, símbolo de Jerusalém e de seu templo que estavam sendo reconstruídos. O profeta anima os que voltaram do exílio a colaborar neste algo novo que Deus planejou para todos os povos, a partir do monte Sião. O símbolo deste novo é o banquete esplêndido que Deus prepara para todos os povos e vai celebrar “neste monte” sagrado de Sião. No monte, Deus vai presentear os convidados com dois presentes: O primeiro é o próprio Deus que se revela a todos os povos como o único Deus e rei universal, ao retirar o véu que os cobria na ignorância. O segundo presente é mais maravilhoso ainda: não haverá mais morte nem lágrimas e a vergonha de Israel acabará. E todos reconhecerão a Deus como salvador: “Este é o nosso Deus, esperamos nele, até que nos salvou; este é o Senhor, nele temos confiado até que nos salvou: vamos alegrar-nos e exultar por nos ter salvo”.

Nos tempos difíceis em que estamos vivendo renovemos nossa fé e esperança em Jesus Cristo. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. É o nosso Salvador.

Salmo responsorial: Sl 22

 Na casa do Senhor habitarei eternamente.

2. Segunda leitura: Fl 4,12-14.19-20

Tudo posso naquele que me dá força.

Nos últimos três domingos a segunda leitura foi extraída da Carta de Paulo aos Filipenses, comunidade muito querida de Paulo, a primeira por ele fundada na Europa. O Apóstolo está encarcerado, talvez em Éfeso, por causa do Evangelho que pregava. Como vimos nos últimos domingos, Paulo se mostra muito grato pelo apoio, inclusive financeiro, que a comunidade de Filipos lhe tem prestado na prisão (Fl 1,20c-24.27a). Com o texto de hoje, concluem-se as leituras da Carta aos Filipenses na Liturgia do na A. O Apóstolo retoma o que já disse no cap. 1 (25º Domingo) e reafirma seu modo de evangelizar, vivendo de seu próprio trabalho (cf. At 18,1-4; 1Cor 4,12). Mas na prisão estava impossibilitado de trabalhar. Paulo sabe viver na abundância e na miséria porque Cristo o fortalece: “Tudo posso naquele que me conforta”; no entanto mostra-se grato pelo gesto solidário dos filipenses. Em outras palavras: ‘Não precisava’! Mas “fizestes bem em compartilhar as minhas dificuldades”. E conclui com um ‘Deus lhes pague’: “O meu Deus proverá esplendidamente com sua riqueza as vossas necessidades, em Cristo Jesus”. No presente recebido Paulo reconhece o dom de Deus, que une a todos os cristãos no mesmo amor. Por isso glorifica a Deus: “Ao nosso Deus e Pai a glória pelos séculos dos séculos”. – Que motivos me levam a agradecer e louvar a Deus? Como mostro a minha gratidão no convívio com as pessoas?

Aclamação ao Evangelho: Ef 1,17-18

 Que o Pai do Senhor Jesus Cristo nos dê do saber o espírito;

Conheçamos assim a esperança à qual nos chamou como herança.

  1. Evangelho: Mt 22,1-14

Convidai para a festa todos os que encontrardes.

Jesus está em Jerusalém para celebrar a Páscoa com seus discípulos. Na entrada triunfal em Jerusalém, envolvido pela multidão, foi aclamado como o Messias esperado pelos judeus: “Hosana ao Filho de Davi” (21,1-11). Purificou o Templo, derrubando as mesas dos cambistas e as cadeiras dos vendedores de pombas. Os sumos sacerdotes e os escribas protestam e exigem que as crianças parem de aclamá-lo como o Messias (v. 12-17). No dia seguinte Jesus volta ao Templo, onde continua ensinando; mas é contestado pelos sumos sacerdotes e anciãos do povo, que dizem: “Com que autoridade fazes estas coisas? Quem te deu este direito”? E Jesus lhes diz: se vocês me responderem de onde vinha o batismo de João Batista, “do céu ou dos homens?”, eu lhes darei a resposta sobre minha autoridade (v. 18-27. Na sequência vêm duas parábolas, a parábola dos dois filhos e a parábola dos vinhateiros homicidas (v. 28-46, lidas no 26º e 27º domingos. Nelas Jesus critica os sumos sacerdotes e os fariseus e contesta a autoridade deles.

Na parábola que hoje ouvimos (22,1-14) Jesus compara o reino dos Céus a um rei que preparou a festa para o casamento de seu filho. Mandou os escravos chamar os convidados, mas eles não quiseram vir. Mandou novamente os escravos, que repetiram o convite com mais insistência: “Está tudo pronto para o banquete, vinde para a festa”. Mas não lhes deram ouvido. Um foi para o seu sítio, outro, atrás dos negócios; outros ainda agarraram os escravos, bateram neles e os mataram. O rei ficou indignado e mandou incendiar a cidade destes convidados (alusão à destruição de Jerusalém no ano 70). Como o banquete estava pronto, o rei mandou chamar para o banquete todos que encontrassem pelos caminhos e encruzilhadas, bons e maus. E a sala ficou repleta de convidados. – Na parábola o rei simboliza Deus e o seu filho noivo é Jesus; curiosamente, quando Jesus responde aos sumos sacerdotes que contestavam sua autoridade, Mateus cita João Batista (Mt 21,23-27), que considera Jesus como o noivo da festa e ele é apenas o amigo do noivo (Jo 3,22-30; Mt 9,15). No passado, Israel perseguiu os profetas (Mt 5,12) e até matou alguns deles (Mt 23,29-37). Agora, os chefes religiosos da Judeia perseguem a Jesus e planejam condená-lo à morte. Assim como os convidados à festa de casamento do filho do rei se excluíram do banquete, agora os judeus que não creem no Filho de Deus se auto-excluem do reino de Deus, anunciado por Jesus. Convém lembrar que os novos convidados para a festa, bons e maus, são recolhidos nas praças, ruas e encruzilhadas, são os pagãos; somos nós. Isso, porém, não garante a participação definitiva no reino de Deus. É preciso estar vestido com a roupa de casamento. Isto é, revestir-se de Cristo.

Frei Ludovico Garmus, OFM

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