Poesia: Salve o Convento!

NOTÍCIAS DA PROVÍNCIA

Em mil seiscentos e tantos
Quando tudo começou,
Sob a ordem de Francisco
Que aos fiéis anunciou,
Que alí no Sítio escolhido,
Um mosteiro fosse erigido
Pra aclamar o Salvador.

Sob o sol forte e escaldante
Ou no mais frio temporal
Iam se encaixando as pedras
Trazidas de Portugal,
E enfim nas torres erguidas,
Soavam no sino as batidas
Pra missa dominical.

Foi o alicerce primeiro
De onde a Vila surgiria
E sob o olhar de Antônio
O povoado crescia,
E a cada conto de réis
Doado pelos fiés
A obra se expandia.

No seu claustro arqueado
De singular arquitetura
Um jardim verde em flores
Inspirava a leitura
Dos que ali se retiravam
E ensinamentos buscavam
Na sagrada escritura

Sua capela nos transporta
Para outra dimensão
Pois quando erguemos os olhos
Em momento de oração
Aquele teto pintado
Parece do Pai um chamado
Que arrebata-nos do chão.

São Domingos acolhido
Por Francisco de Assis,
Que no Céu foi recebido
É o que a imagem diz
Na nave mor estampada
Em velha tinta dourada
Compondo aquela matiz.

Nas suas paredes cintilam
Em lusas telas azuis:
A vida de Antônio de Pádua
Fiel seguidor de Jesus
O Cristo que escarnecido
Ao centro está esculpido
Prostrado na Santa Cruz

Hoje todo o acervo
Ameaçado está
E aquele templo suntuoso
Por certo não vai suportar
Ao tempo impiedoso
Que lento e silencioso
A historia quer apagar

Construido em solo fértil
O argiloso massapê,
Que fez as palmeiras crescerem
Mas fez as paredes ceder,
E o piso da sacristia,
Afunda dia após dia
Sem ter a quem recorrer

Agora tilinta o seu sino
Em triste convocação
Como quem pede socorro:
“Não me deixem morrer não ”
No altar clama o vigário
Convocando ao trabalho
Os homens de bom coração.

Marco Zero da Cidade
Sacrossanto monumento
Resgatem a nossa historia,
SALVE O NOSSO CONVENTO !

 

Autor: Jotta Fonseca