De Assis a Ipuarana: terceiro dia do CPP destaca partilhas e experiências na vivência do carisma franciscano

No terceiro dia do Conselho Plenário Provincial, os frades refletiram sobre os caminhos da fidelidade ao carisma franciscano, inspirados pelas experiências do Capítulo Internacional das Esteiras e do Conselho Plenário da Ordem. As partilhas abordaram temas como sinodalidade, missão, juventude, JPIC e patrimônio histórico.

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30.07.2025 20:41:01 | 1 minutos de leitura

De Assis a Ipuarana: terceiro dia do CPP destaca partilhas e experiências na vivência do carisma franciscano

      O terceiro dia de Conselho Plenário, convidou aos guardiões, vigários e representantes das fraternidades a beber das fontes do carisma através das decisões e reflexões feitas nos últimos encontros gerais da Ordem, como também a partir da revisão das decisões do último Capítulo Provincial e os passos que devem ser traçados para o futuro de nossa entidade, mantendo em vista a identidade franciscana. 

    Na parte da manhã, Frei Wellington Buarque ficou responsável de partilhar as intuições e inquietações presentes no Capítulo Internacional das Esteiras e no Conselho Plenário da Ordem, que aconteceram no início de junho em Assis, na Itália. Começando pelo Capítulo das Esteiras, o frade lembrou que o marco inspiracional deste encontro esteve no evento de Pentecostes. A presença de 150 membros entre frades, religiosas, leigos e leigas, vindos das 13 conferências da Ordem e de 5 continentes, atualizaram o evento que em meio a tantas línguas, com culturas e contexto eclesiais diferentes, se uniram para pensar o caminho da presença e Missão da Ordem franciscana.

       A Conferência Brasil e Cone-Sul contou com 8 participantes. Cada delegação apresentou um pouco da vida e missão de cada realidade e durante os dias Do Capítulo refletiram e discutiram sobre os três eixos: Carisma, Comunhão e Missão, a partir de conferências, apresentação de relatórios, partilhas e do método de escuta do “World Café”. Partilhando um pouco dos bastidores sobre a metodologia, Frei Wellington partilhou do quanto este processo fez com que, mesmo tendo se inscrito para participar em grupos de língua espanhola, acabou bebendo de outras mesas de debate com outras variações linguísticas. “No final das contas, falávamos a linguagem da fraternidade’’, destacou o frade. 


   Algo destacado durante a partilha de Frei Wellington sobre o ar que pairava na Domus Pacis, ambiente do Capítulo, foi o Espírito de sinodalidade tão presente na eclesiologia do Papa Francisco e que fez com que a Ordem bebesse ainda mais de suas fontes nos dias capitulares. Percurso sinodal este que começou ainda nas fraternidades, entidades e Conferências até chegar ao Capítulo internacional. 

       Na busca de responder aos eixos, o Capítulo identificou a partir do Carisma a necessidade de reconhecer as manifestações do Espírito em nossa vida cotidiana, o discernimento fraterno para o nosso caminho sinodal e os jovens e sua relação com o carisma franciscano; da Comunhão, praticar novos modelos formativos para viver o carisma franciscano, a colaboração e a comunhão entre os membros da Família Franciscana e a Dimensão carismática do Serviço de Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC); e, por último, a Missão, que bebendo das fontes do Papa Francisco, convoca a Ordem a assumir a identidade de uma Igreja em saída, da missão compartilhada e da esperança para nosso caminho fraterno.

      A partilha seguiu sobre o Conselho Plenário da Ordem (CPO), que refletiu sobre a missão e a evolução da Ordem nos tempos de mudanças e esperança. Partindo do lugar teológico da Ordem, que é a Porciúncula, os 55 frades convocados para o CPO, ouvindo os apelos dos tempos, que inclusive trouxe presente as provocações e reflexões do Capítulo das Esteiras, conseguiram rever os passos já dados e aqueles que vão direcionar toda a Ordem, rumo ao Capítulo Geral de 2027. O método usado foi a partir da sinodalidade, que começou com os leigos e religiosas e seguiu nos dias do Conselho, mostrando que o futuro franciscano se constrói juntos e não sozinhos. Como bem afirmou o Ministro Geral, em seu discurso de encerramento: “A era de uma certa autossuficiência acabou. O carisma pertence à família extensa”.

      Ainda em seu discurso final, o Ministro Geral chamou atenção para três movimentos presentes na Ordem: 1) do Movimento da conservação a uma transformação criativa, onde a assembleia votou positivamente para uma maior participação de toda a Família Franciscana, de forma sinodal nas estruturas do Capítulo Geral; 2) da Centralização a Corresponsabilidade efetiva, dando uma maior autonomia aos presidentes das Conferências da Ordem e uma maior abertura para contribuições no Definitório Geral; 3) e o da Geografia histórica à Geografia atual da Ordem, que sofre mudanças ao longo do tempo e nos convida a repensar os contextos e fenômenos do mundo atual.  

      Frei Wellington, diante dos desafios e esperanças apresentados no CPO, percebe uma visão ainda mais aberta rumo ao próximo Capítulo, que quer dialogar sobre uma economia mais solidária, a participação dos jovens junto ao nosso carisma, a dimensão do trabalho com JPIC, que traz presente a preocupação com a Ecologia Integral, uma nova reflexão acerca da presença dos frades nos diversos continentes, que se alternam entre o aumento e a diminuição das vocações, junto aos leigos, etc.  


      As partilhas continuaram na parte da tarde com apresentação e apreciação dos temas refletidos no último encontro de Irmãos de Vocação Laical na Província, a revisão das decisões do último Capítulo Provincial que envolve as diversas Secretarias da Província, Economia e ainda os assuntos pertinentes ao Patrimônio Histórico sobre a atual situação das Casas históricas e como a Província tem buscado manter a preservação da história provincial tanto nos prédios, como na arte sacra, em documentos, registros fotográficos e a memória vida dos frades.

      Sobre este último ponto, Frei Pedro Júnior partilhou como está o processo do Convento São Francisco em Salvador-BA que no dia 5 de fevereiro deste ano foi interditado após o desabamento do forro da Igreja. Logo após o acidente, foi iniciado um processo de Obra emergencial que segue até o próximo mês de setembro. O guardião da fraternidade externou ainda que tem se buscado os órgãos oficiais e outras formas de angariar recursos diante de novas urgências que tem surgido como a interdição de parte do Convento e do teto da Igreja. Não existe nenhuma estimativa de datas para reabertura da Igreja.

Frei Alleanderson: É hora de descer o monte com aquilo que assumimos como Evangelho em direção as nossas fraternidades

      A programação do Conselho de Formação foi concluída com a Santa Missa. No presbítero da Igreja Conventual, o eco do próprio Templo, fazia com que a Palavra ganhasse ainda mais espaço no coração dos frades.

      A partir da liturgia da Palavra, Frei Alleanderson Brito, convidou os confrades a fazer a experiência de Moisés, que depois de receber as tábuas com o decálogo, desce a montanha para revelar ao povo de Deus como caminho seguro. “A figura de Moises se encaixa perfeitamente naquilo que vivemos nestes dias. Aquilo que foi experiência intima de Deus, que refletimos e decidimos nestes dias, é também Evangelho e precisamos agora levar em direção as nossas fraternidades e comunidades” frisou o frade.


      “Quem encontra com a sabedoria do Evangelho, não tem espaço para outra coisa” lembrou Frei Alleanderson que apresentando a figura de Francisco, o homem que tudo deixou para seguir o Cristo, convidou os presentes para também renovar o abraço à forma de vida evangélica, para que o Reino que anunciamos seja o centro do nosso viver.

Fonte: Serviço de Comunicação Provincial - Frei Roberto Alves, OFM
Imagem: Lais Cavalcante
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