1ª DOMINGO DA QUARESMA, ANO B: Prestar atenção no verdadeiro Messias

Acompanhe a meditação da Liturgia do Primeiro Domingo da Quaresma. A primeira leitura é retirada do livro de Gênesis 9,8-15, Salmo 24(25),4bc-5ab.6-7bc.8-9 (R. cf. 10), a segunda leitura da Carta de 1 Pedro 3,18-22 e o Evangelho narrado por São Marcos 1,12-15

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17.02.2024 22:52:58 | 2 minutos de leitura

1ª DOMINGO DA QUARESMA, ANO B: Prestar atenção no verdadeiro Messias

         É natural nos prepararmos para algo que consideramos importante. Pode ser um aniversário, um casamento ou concurso, tudo isso nos leva um aprofundamento no que desejamos. A preparação é viver um momento que ainda não aconteceu. Assim é, por exemplo, a Quaresma, as práticas vividas nesse tempo nos fazem vivenciar a Páscoa de Jesus. Já que iniciamos esse novo tempo na quarta-feira com a imposição das cinzas, sinal de arrependimento, bem como, o desejo de mudança de vida e lembrar a transitoriedade da vida humana sobre a terra, precisamos saber como viver dignamente esse tempo. 

         Como ponto de partida vale ressaltar que o termo quaresma significa quarenta, não como símbolo matemático apenas, mas como tempo oportuno ou “favorável” para assumirmos nosso discipulado. Dentro desse tempo quaresmal o espaço celebrativo estará revestido da cor roxa que nos remete ao recolhimento; também estará despojado, sem enfeites e ornamentos. Tais ausências nos ajuda a esvaziar o coração do que é supérfluo para preencher da Palavra; Devem-se evitar muitos instrumentos, mantendo a interioridade; Não se cantam o hino de louvor e o aleluia, reservados para a Páscoa; A cruz deve ser destacada para relembrar o amor que Cristo tem por cada ser humano. Se o arco-íris é o sinal da Aliança de Deus com o seu povo, a cruz é sinal desse amor incondicional do Pai. Quanto as devoções, as sextas feiras é dedicado a via-sacra que nos ajuda a mentalizar todo o sofrimento passado por Jesus e ao mesmo tempo mentalizar o sofrimento de cada ser humano diante do mistério da vida.

         São três as práticas que enobrece nosso espírito nesse tempo: oração, jejum e a solidariedade. A oração quaresmal deve ser mais frequente, feita em clima de humildade, de perseverança e de confiança; O jejum não é um exercício meramente individual, mas se dá fraternalmente; E a solidariedade que tem como ponto de partida a Campanha da Fraternidade com o tema: Fraternidade e Amizade Social e o lema, vós sois todos irmãos e irmãs. A Igreja faz um convite a redescobrir que fazemos parte de uma mesma casa comum onde todos somos parte Dele.

         A Igreja relaciona a quaresma com os “eventos” do Antigo Testamento: os quarenta dias do dilúvio; os quarenta dias de jejum de Moisés no Monte Sinai para receber a Lei da Aliança; quarenta anos do povo andando pelo deserto até chegar a terra prometida; os quarenta dias de Elias caminhando e jejuando. Por fim, como lemos no Evangelho de hoje, o Espírito levou Jesus para o deserto, passou quarenta dias e lá, tentado por Satanás. Satanás significa adversário. Uma instituição, um grupo de pessoas, uma pessoa podem ser satanás para Jesus. É o caso de Pedro, única pessoa a ser chamado de satanás no Evangelho de São Marcos. Jesus o chama assim e o manda passar para trás porque Pedro tenta impedi-lo de ser o Messias servidor. De fato, São Marcos não mostra quais foram as tentações de Jesus, como mais tarde Mateus e Lucas irão narrar. Em Marcos o tentador e suas tentações irão aparecer ao longo do Evangelho e de surpresa.  

         Antes de dirigir a atenção para Jesus, Marcos fala da prisão de João Batista. Aqui se constata o fechamento do Antigo Testamento e a abertura do novo na pessoa de Jesus. Cada evangelista escolheu cuidadosamente as primeiras palavras de Jesus. Neste Evangelho afirma três coisas: Acabou o tempo da espera, o Reino de Deus está próximo e Conversão ao evangelho. Marcos fala da proximidade do Reino de Deus e não que já tinha chegado. Essa é uma estratégia de Marcos, pois o Messias vai se revelando aos poucos. Isso exige de nós prestarmos bastante atenção.

         Portanto, este tempo da quaresma nos ensina a “prestar atenção...” (Hb 10, 24) no verdadeiro Messias, nas tentações que nos chegam; nos ensina ainda que a vida precisa ser vivida como se fosse o último dia, pois esta vida teve um preço alto. Tudo isso, como afirma Paulo na segunda leitura de hoje “para nos conduzir a Deus”. Todo esse amor deve ser retribuído com amor, isso não quer dizer que seremos a partir de hoje santos. Deus quer que sejamos melhores do que somos, sem deixar de ser o que somos, isto é, humanos.

Fonte: Frei Pedro Júnior, OFM
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