2º DOMINGO DA PÁSCOA, Ano B: O centro da vida precisa ser o ressuscitado

Acompanhe com Frei Pedro Júnior, a reflexão do segundo domingo da Páscoa, conhecido também como domingo da misericórdia onde a partir do exemplo de Tomé, o frade nos convida a se tornar um irmão gêmeo do apostolo, trazendo consigo as caracteristicas como questionador, corajoso e convicto.

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07.04.2024 07:25:13 | 1 minutos de leitura

2º DOMINGO DA PÁSCOA, Ano B: O centro da vida precisa ser o ressuscitado

          A nossa Igreja nasce como uma comunidade de fé, missionária, fraterna e misericordiosa. O Domingo seguinte ao da Páscoa faz nos lembrar dessas características as quais em todo o cristão precisam ser marcas próprias, porém, ser misericordioso é a característica mais próxima de Deus. A liturgia deste Domingo narra o quanto a morte e seus sinais trancam o que temos de melhor: a vida. 

          No evangelho de domingo passado, refletimos sobre as reações da comunidade nas figuras de Maria Madalena (Desespero e choro), Pedro (contemplação) e do Discípulo Amado (viu e acreditou). Do susto da madrugada no primeiro dia que encontraram o tumulo vazio, passamos para o anoitecer do mesmo dia. O sinal claro de morte João faz questão de narrar: “... estando fechada as portas por meio dos judeus...”. O medo é preocupante, pois impede de olhar para frente e de ser missionário. Havia um preocupação clara que o destino dos mesmos poderia ser, imediatamente, como o de Jesus e, por isso, as portas fechadas. 

          Porém, para quem venceu a morte, não seria uma porta que impediria de entrar na casa e se colocar “no meio deles”. Para vencer o sinal visível de morte, Jesus, no centro, como uma videira e os discípulos os ramos, oferece a paz. O centro da vida dos apóstolos e também o nosso precisa ser o ressuscitado, em outras palavras, a fé, a vida, a esperança devem estar sempre em nós. Na continuidade da experiência, Jesus “mostra-lhes as mãos e o lado”, as marcas do flagelo da cruz. Mostrar isso significa dizer que Ele não é um fantasma, que não era o fim e, com isso, restitui a fé dos discípulos. Dos Evangelistas apenas João se preocupa com esse detalhe: o ressuscitado tem marcas do crucificado. Precisamos estar cientes que nós teremos sempre a marca do crucificado. Nossa vida não será apenas flores, contudo, sentir as marcas será garantia de que os ramos estão na videira. 

          A paz dada por Jesus trouxe alegria: “Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor”. A alegria é o que permite vencer o medo e uma das características que marca a presença do ressuscitado. Ao sentir que a paz trazia alegria, Jesus oferece uma segunda vez e os envia do mesmo jeito que o Pai havia O enviado. Em seguida, sopra o Espírito Santo sobre eles fazendo memória ao sopro da vida, concedendo-lhes a graça de se perdoarem mutualmente. Esse sopro acompanha a humanidade desde a origem, daí a importância de nos confessarmos, mesmo que o padre seja um homem como todos. Nesse momento age em persona Cristi e aqui se fundamenta o sacramento da penitência e Jesus recria a comunidade dando-lhes uma responsabilidade: reconciliar o mundo, levar a paz e o amor do Ressuscitado a todas as pessoas. João, o Batista, apontou para Jesus como o responsável por fazer o pecado desaparecer do mundo. Agora Jesus confia a comunidade essa responsabilidade.

          É importante salientar que a comunidade não estava completa, além de Judas, Tomé não estava presente. Sua ausência e dúvida sobre o ressuscitado lhe conferiram uma marca injusta, como um homem sem fé. Isso não é verdade, dos apóstolos ele era o único que não estava preso a portas fechadas. Ele continuava na rua e não tinha medo. Essa coragem de Tomé é vista no episódio da reanimação do corpo de Lázaro. Ele foi o único a expressar que estava disposto a morrer com Jesus. Essa sua coragem foi ofuscada pelo rotulo inadequado de incrédulo. Talvez seu único erro foi não dar credibilidade a comunidade. Ora, a exceção do discípulo amado, o qual viu e acreditou, os demais também só acreditaram após a manifestação do Senhor em seu meio. A convicção de fé de Tomé foi a maior: “Meu Senhor e meu Deus”. Jesus já tinha sido reconhecido como Senhor, Messias, Filho de Davi, Filho do Homem, Filho de Deus, mas como Deus mesmo, essa foi a primeira vez. Com isso, não importa o tempo em que alguém adere a fé; o que importa é a intensidade. 

          Existe mais um detalhe que não pode passar despercebido: diz João que Tomé era chamado Dídimo, cujo significado é gêmeo. No entanto, o evangelista não apresenta um irmão gêmeo de Tomé, mas deixa no anonimato, como acontece com o discípulo amado. Isso significa um convite aos leitores a se tornarem gêmeos de Tomé: questionador, corajoso e convicto.

          Portanto, as primeiras comunidades como nos recorda os Atos dos Apóstolos adquiriram essas convicções, perseverando na oração, ensinamentos dos apóstolos, fração do pão. Todos que abraçavam a fé eram unidos e colocavam tudo em comum. Essa é a mais plena convicção do ressuscitado, viver em comunidade.

Fonte: Frei Pedro Júnior, OFM
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