3º DOMINGO DA QUARESMA, Ano B: Somos Templos de Deus

Acompanhe a reflexão da liturgia do Terceiro domingo da Quaresma com Frei Pedro Júnior que nos convida a olhar para "Jesus como o novo templo é o lugar onde Deus reside encurtando a distância entre Deus e a humanidade."'

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03.03.2024 05:51:43 | 3 minutos de leitura

3º DOMINGO DA QUARESMA, Ano B: Somos Templos de Deus

Nesta caminhada quaresmal somos conduzidos pela liturgia a zelar pelo templo físico, casa de Deus e pelo templo espiritual, simbolizado pelo nosso coração.  No primeiro, Jesus surpreende a todos com uma reação firme frente ao templo físico sem perder a ternura; Quanto ao segundo Deus propõe o decálogo (10 palavras) que abarca duas vertentes fundamentais da existência humana: a relação do humano para com Deus e a relação do humano para com o próximo. Para muitos isso pode parecer loucura, mas para nós cristãos, pura liberdade. 

Na relação com Deus a questão que sobressai é que Deus deve ser a referência fundamental e o centro da vida do povo. Nada e ninguém deve ocupar, o lugar que só a Deus pertence. Nos mandamentos referente as relações comunitárias tem como ponto central o respeito absoluto pelo próximo, isto é, sua vida e seus direitos. Obedecendo tais mandamentos formaremos uma teia de relações e lembraremos que somos uma família, somos irmãos. Talvez a grande questão é porque Deus apresentou esses mandamentos e recomendou este caminho? Alguns responderão que Deus está limitando a liberdade do povo. Já outros, dirão que ajuda a pensar mais no conjunto do que nas partes. Isso nos faz sermos mais irmãos. 

Ora, se com esses mandamentos Deus nos convida a sermos irmãos, como explicar a reação de Jesus frente aos vendedores no átrio do Templo? Esse gesto do Evangelho deve ser entendido como a chegada do Messias que anuncia um novo tempo. Jesus não quer apenas uma reforma, mas a abolição do próprio culto. Ele não queria mais o sacrifício de animais, que não transformasse sua casa em comércio e lugar de misérias. Ele queria demonstrar que o verdadeiro culto é aquele que coloca Deus no lugar central e que não houvesse injustiças, pois estas nos distancia e quebra a “Aliança” construída pelos mandamentos de Deus. 

Os líderes judaicos acharam um absurdo a reação de Jesus. No fundo eles se achavam os únicos detentores de Deus, Trancavam Deus em suas convicções e aumentavam as diferenças entre as pessoas. Aqui Jesus se apresenta como o “novo templo” e afirma destruir o templo físico, levantado em 46 anos e reconstruí-lo em três dias. Como eles não entenderam a linguagem de Jesus, pois Ele falava de sua ressurreição, o acusava de desordeiro. O templo é o lugar por excelência dos judeus onde Deus se revela. Jesus como o novo templo é o lugar onde Deus reside encurtando a distância entre Deus e a humanidade.

Essa mesma linguagem de Jesus não entendida pelos fariseus, também permanecia difícil de ser entendida pelas comunidades quando os apóstolos falavam do senhorio de Jesus. A comunidade de Corinto cercada por um jeito único de ver Deus, seja pelos milagres, representado pelos judeus, seja pela sabedoria das grandes ideias filosóficas, procuravam sempre nos homens uma resposta para suas dúvidas. Alguns diziam eu sou de Pedro, outros eu sou de Apolo. Porém, Paulo oferece Cristo como poder e sabedoria de Deus. 

Portanto, Jesus é a loucura mais sábia que esse mundo já viu. Ele é um Deus que se fez homem, assumiu nossa condição e nos mostrou que o verdadeiro mandamento é aquele em que Deus é o centro de nossas vidas e que o outro não é um totalmente outro, mas uma extensão de mim. Daí a proposta crista cujo mandamento não nos escraviza, mas possibilita a mais pura liberdade.

Fonte: Frei Pedro Júnior, OFM
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