DOMINGO DE RAMOS, ANO B: Deus se esvaziou de sua condição e exaltou nossa humanidade se tornando um conosco

Acompanhe a reflexão de Frei Pedro Júnior para este domingo de Ramos, onde o mesmo destaca a preciosidade desta semana e a partir da liturgia da Palavra deste dia, "a forma como Deus se esvaziou de sua condição e exaltou nossa humanidade se tornando um conosco.

Artigos

24.03.2024 05:26:58 | 4 minutos de leitura

DOMINGO DE RAMOS, ANO B: Deus se esvaziou de sua condição e exaltou nossa humanidade se tornando um conosco

A celebração do Domingo de Ramos se configura com o início da Semana Santa. Estes dias não são como os outros. Não falo de feriado, comida, encontro entre familiares... É uma semana que nos dá possibilidade de percorrer com Jesus os seus momentos mais difíceis, porém, mais amorosos. Não é só de dor e sofrimento que se reveste esses dias, mas de descoberta: o Cristo que entrou em Jerusalém em cima de um jumento e aclamado pelo povo é sem dúvidas, o Filho de Deus. 

Chegamos ao sexto Domingo (de ramos) Jesus entrando em Jerusalém da forma como sempre se mostrou: pobre e humilde. Em cima de um burro o povo cantava e exaltava com ramos de oliveira, o nome de Jesus. A origem do Domingo de ramos seria um costume popular do século V, em Jerusalém, que na tarde do Domingo fazia uma procissão solene para comemorar a entrada de Jesus na cidade. A popularidade desse evento se deu porque a comunidade revive de forma dramatizada essa entrada marcante de Jesus. Essa se torna a única procissão recordada pelo NT. Vale ressaltar que os quatro evangelistas narram a entrada em Jerusalém. Ainda encontramos outras procissões na Bíblia: a tomada de Jericó (Js 6,1-16), o transporte da arca para Jerusalém ( 2Sm 6,12-19; 1Cr 15,25-16,3), a procissão de Neemias ( Ne 12,27-43), e a de Judite ( Jt 15,12-16,18).

A liturgia revela dois aspectos fundamentais: a entrada messiânica em Jerusalém e a memória de sua Paixão. A nível de conhecimento, este é o único Domingo no qual se faz memória da paixão de Jesus. A título de recordar a paixão de Cristo, Paulo fala a comunidade de Filipenses que não somos maiores ou inferiores a ninguém. O nosso Cristo esvaziou de toda a sua divindade e se tornou homem e, ainda, o menor dos homens sendo obediente até a morte de cruz. Esvaziando-se ensina a nos permitir ser preenchido do amor de Deus. 

Se é verdade que os quatro evangelistas narram a entrada de Jesus em Jerusalém é também verdade que os quatro narram a Paixão de Jesus, cada um com uma visão e perspectiva diferente, porém, são semelhantes em afirmar a decisão de Jesus de falar tudo o que viu e ouviu do Pai. Tais palavras lhe conferiram perseguição e morte. Não diferente no que se percebe na leitura de Isaias em que uma pessoa anônima, que mais tarde a Tradição atribuiu ao próprio Jesus, escutava todas as manhas o que Deus falava e à medida que profetizava, veio perseguição e sofrimento.

No anúncio da Paixão feito pelo Evangelista Marcos não podemos fugir da pergunta que norteia esse Evangelho: quem é Jesus? Os títulos dados a Jesus em Marcos vão ganhando progressivamente densidade: Filho do homem, Messias, rei dos judeus e, finalmente, Filho de Deus. E é um centurião romano que outorga a Jesus o mais importante dos títulos: “Realmente este homem era Filho de Deus” (Mc 15,39). Dois personagens aparecem como pessoas que experimentam o que este soldado afirmou. São eles, Simão o leproso e uma mulher desconhecida. Personagens sem importância na estrutura social da época que se tornam protagonistas da missão de Jesus. Diante dos leprosos, havia que manter boa distância. A ação de Jesus não tem lógica alguma na estrutura religiosa e isso pode ter ganhado desconfiança. Diante da lógica do puro e impuro há uma inversão. Aos poucos Jesus recoloca os considerados impuros na categoria de humanos. 

E na casa já marcada pela impureza, uma mulher dele se aproxima. Novamente o inusitado chama a atenção. Numa sociedade em que a mulher não poderia se apresentar sozinha e sem o senhorio de um homem, a anônima faz um dos maiores gestos já pensados em toda a história humana. Para muitos, o que ela faz é um desperdício. Mas para ela e para Jesus, trata-se de entrega desinteressada. Na casa, Jesus devolve a dignidade de pessoas que havia sido tirado e os tornam protagonistas de suas vidas.

Portanto, no dia em que exaltamos o nosso rei que chega de forma tão humilde, possamos nós a exemplo Dele aprender a olhar o outrem não como alguém fora ou longe de mim, mas como extensão de mim. Não deve existir entre nós tanta desigualdade já que Deus se esvaziou de sua condição e exaltou nossa humanidade se tornando um conosco. 

Fonte: Frei Pedro Júnior, OFM
Mais em Artigos
 

Copyright © Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil.
Direitos reservados, acesse a política de privacidade.

X FECHAR
Cadastre-se para
conhecer o
nosso carisma