SEXTO DOMINGO DA PÁSCOA, ANO B: A Igreja é um lugar de amizade

Acompanhe a reflexão com sexto domingo da Páscoa onde somos convidados a ver a nossa comunidade como um lugar de amizade. Frei Pedro Júnior em sua reflexão dominical nos lembra que Só existe um caminho para o amor, dá tudo de si até mesmo a própria vida.

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05.05.2024 08:36:00 | 4 minutos de leitura

SEXTO DOMINGO DA PÁSCOA, ANO B: A Igreja é um lugar de amizade

Chegamos ao sexto Domingo da Páscoa conscientes da força que o Ressuscitado exerce na vida do Cristianismo. Fundamento da nossa fé, a Páscoa revela o amor incondicional de Deus pela humanidade. Este amor não nega o pecado do homem e da mulher, como se fechasse os olhos as nossas fragilidades, pelo contrário, Deus sabe das nossas limitações bem como da nossa potencialidade de recomeçar. 

Pedro, o personagem central dessa primeira leitura, ainda não havia compreendido um amor assim. Ele continuava condicionado a uma forma de pensar Deus, limitado apenas a um povo, os judeus. Ao longo desses 10 primeiros capítulos dos Atos dos Apóstolos, Jesus foi conduzindo Pedro a ver além do que seus olhos constatavam. Através de uma visão ele percebe que tudo o que estava a sua volta era obra de Deus, por conseguinte, puro, até mesmo os pagãos. Pedro enfim percebe que a Igreja se expande a partir da convicção de uma salvação para todos os povos e não só aos judeus. 

O encontro de Pedro com Cornélio foi o ápice para a conversão de Pedro. Dessa forma não podemos apenas falar da conversão e batismo de Cornélio e toda a sua família, mas também da conversão Pedro. A partir desse encontro ele percebeu que sua condição de apóstolo e judeu não o tornava melhor do que a condição de capitão e pagão de Cornélio. O Espírito Santo realizou o mesmo na vida daquela família. Está claro para Pedro que Deus não faz distinção de pessoas ou raças. Não se justifica nem antes muito menos nos dias atuais qualquer tipo de preconceito. Este ensinamento é base para entender a essência de Cristo cuja vida inteira dedicou-se para incluir todos no seu reino

A certeza deste acolhimento universal dado pelo próprio Deus está cristalizada na primeira carta de João: “Amemo-nos uns aos outros...” (1 Jo 4, 7). Entre amar a Deus e amar o próximo, qual é o primeiro? Para João são correlativos e inseparáveis. Os dois amores se implicam mutuamente, de modo que um sem o outro não é real. A carta ganha seu ápice quando tenta ousar definir Deus: “Deus é amor” é aqui onde a linguagem humana pode chegar. A meu ver, podemos ir mais, basta pensar que Deus é superabundância, de tudo o que pensamos ou ainda denominamos. 

O Evangelho de hoje tem a ternura de uma comunidade que percebe o amor como base de qualquer relacionamento. Não existe quem ama mais ou ama menos, existe quem ama e este não pode ser disposto somente aos que estão ao meu lado, mas a todos. Eis, então, o mandamento de Cristo: “que vos ameis uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15, 12). Não se trata de amar semelhante a Ele, mas como Ele, se assim for, grande será nossa alegria. 

Amor, amizade deriva da mesma palavra grega e João vê a Igreja como lugar da amizade. Jesus se apresenta como aquele que confia aos apóstolos tudo o que Ele ouviu do pai. Ele convocou uma família, não fundou uma empresa. O mais interessante é que à medida que o tempo passa a relação de Jesus com a humanidade vai evoluindo permitindo mais intimidade, primeiro servo, depois amigo e mais tarde irmão. O tempo de convivência permite maior relação. Conosco, na sua maioria, acontece diferente, o tempo parece esfriar a relação e o carinho, paixão e o amor do primeiro encontro e da conquista parece desaparecer. Começa com amor, depois amigos e por último servo. Enquanto amar, Jesus é radical. Só existe um caminho, dá tudo de si até mesmo a própria vida.

Fonte: Frei Pedro Júnior, OFM
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