18º Domingo do Tempo Comum, Ano C: Nossa confiança está em Deus e não em nossa própria força

Frei Pedro Junior reflete sobre o início dos meses temáticos da Igreja, destacando agosto como mês vocacional. No Dia dos Padres, convida a uma autocrítica sobre a vocação sacerdotal, alertando contra o risco da vaidade e do acúmulo de bens. A partir da Bíblia, especialmente Eclesiastes e Lucas, reforça a centralidade da vida simples, do serviço e da confiança em Deus. O essencial, ensina ele, está em aspirar “as coisas do alto” e viver com autenticidade e fé.

Reflexão Dominical

03.08.2025 07:27:41 | 5 minutos de leitura

18º Domingo do Tempo Comum, Ano C: Nossa confiança está em Deus e não em nossa própria força

    Enquanto Igreja Católica iniciamos uma sequência importante de meses temáticos que nos ajudarão em nossa espiritualidade. Vivenciamos neste tempo de agosto o mês vocacional, momento único de escuta a voz de Deus que constantemente nos fala; dando sequência ao mês de setembro refletimos sobre a Sagrada Escritura, isto é, damos base ao nosso chamado vocacional na Bíblia; e por último, o mês de outubro ou missionário onde praticamos o que escutamos da Bíblia e nos tornamos uma Igreja em saída como o Papa Francisco nos pedia. 

       Para este mês em curso que é o vocacional, iremos refletir em cada domingo uma vocação específica da Igreja. Para hoje, lembramos o dia dos padres. Não se trata apenas de exaltar sua importância na comunidade, bem como de uma reflexão crítica diante de nossas ações enquanto homens em “persona Christi”. Nosso modelo enquanto padre é Jesus, daí a reflexão: como estou levando a minha vida de sacerdote. Para mim é apenas um status? uma ilusão? Uma Vaidade? como o livro de Eclesiastes nos remete ou um chamado de Deus? Todas essas respostas precisam ser dada por todos nós padres. 

[Confira aqui a Liturgia deste 18º Domingo do Tempo Comum]

    A primeira leitura que lemos de Eclesiastes foi escrito provavelmente no século III Ac, não se sabe ao certo quem escreveu, apenas apresenta o livro como “palavras de quhélet”, mas o significado desse nome é: “aquele que fala na assembleia”, não necessariamente um nome próprio. Mesmo que não se saiba o autor, mas seu conteúdo é um tanto estranho e que precisamos sempre ler a partir do olhar da fé. Digo isso porque o livro é de um impressionante pessimismo. O autor parece negar qualquer possibilidade de encontrar um sentido para a vida... que o esforço humano é inútil, que é impossível conhecer Deus e que, aconteça o que acontecer, nada vale a pena porque a morte está sempre no horizonte e iguala-nos com os ignorantes e os animais. Contudo, olhando para o dado da fé e não do pessimismo, o autor conclui que nada tem valor e sentido investir numa busca desenfreado pelo acumulo de riquezas. Quando se chaga no final dos dias, resta a frustração de não ter gasto seu tempo com coisas que realmente são mais importantes, a saber: usufruir do trabalho como um dom e um meio de subsistência e não como acúmulo; celebrar momentos mais juntos, compartilhar a vida.

     Dessa forma, o autor nos convida a centrar a nossa vida no que é mais importante. Para nós padres um ensinamento riquíssimo, pois o que é mais singular em nossa vida não é o status, mas deixar que nossa vida seja um serviço gratuito e de amor aqueles que nos chega, isto é, sermos próximo. O que é ainda mais importante é colocar a nossa confiança não na nossa própria força, e sim, em Deus. A nossa vocação é dele, pois Ele que nos escolhe e nos dá toda possibilidade para sermos também como Ele, sacerdotes.

      Nessa mesma temática do acúmulo desnecessário, a cobiça, a luta pelos bens, o evangelho de Lucas vem alertar aos discípulos. Diante da divisão dos bens Jesus se esquiva em dar uma resposta porque deseja que olhemos para o que realmente dar sentido a nossa vida, o que é essencial. A preocupação excessiva com os bens constitui uma experiência de egoísmo, de fechamento, de desumanização. Quando o coração está cheio de cobiça, de avareza, de egoísmo onde se evidencia apenas o “ter”, acabamos nos tornando insensíveis aos outros e a Deus isto é, capaz de explorar a fim de ampliar sua conta bancária. Tal parábola contada por Jesus não é só para aqueles que possuem bens, mas destina-se a todos aqueles que tendo muito ou pouco, vivem obcecados pelos bens materiais, fazendo destes o seu deus. 

      Como nos recorda Paulo na Carta aos Colossenses: “aspirai as coisas do alto”. Isso significa desejar o essencial e não o passageiro e o transitório. Vale lembrar que não se trata de um desprezo ao mundo, mas de um ressiignificar o nosso jeito de estar no mundo. Dentro da lista dos vícios elencados por Paulo: temos a cobiça e a avareza, o desejo de acumular, chamado de idolatria pelo autor. Às vezes nos preocupamos demais com as imagens que temos nas nossa igrejas como sinal de idolatria, mas nem nos importamos com as imagens presente no dinheiro. Intrigante é que as imagens feito de gesso ou de outro material é considerado idolatria, mas as imagens que consta em cada nota, seja uma onça, um peixe, essas não se considera idolatria. Cuidado! Existe mais idolatria na busca pelo ter (dinheiro) do que as representações de nosso santos.

     Portanto, no dia que celebramos o dia dos padres vários ensinamentos pode ser tirado dessas leituras. Talvez a maior dela é onde estamos gastando nossas vidas: no acumulo ou no que é essencial? Oxalá, nós padres, jamais nos deixemos levar pela vaidade, acúmulo de bens ou qualquer situação que nos aprisione no que é terreno, pois somos feito para e pelo alto.

Fonte: Frei Pedro Júnior Freitas, OFM
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