Ouvir, partilhar e caminhar: Encontro de Frades de Profissão Temporária é realizado no Convento Santo Antônio, em Lagoa Seca/PB

O encontro aconteceu nos dias 15 e 16 de julho e, a partir do texto “Audite, poverelle”, motivou uma escuta comprometida dos formandos com os irmãos e com a vontade de Deus, renovando, assim, a vocação franciscana.

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17.07.2025 10:26:02 | 1 minutos de leitura

Ouvir, partilhar e caminhar: Encontro de Frades de Profissão Temporária é realizado no Convento Santo Antônio, em Lagoa Seca/PB

      No mês de julho, os frades da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil se reúnem no Convento Santo Antônio (Ipuarana), em Lagoa Seca/PB, para os seus encontros anuais. A programação deste tempo forte de fraternidade teve início com o Encontro dos Frades de Profissão Temporária, que residem na Casa de Formação (em Olinda) ou estão vivenciando o estágio fraterno-missionário em outras fraternidades. Neste ano, o encontro aconteceu nos dias 15 e 16 de julho.

      A motivação da reunião esteve em sintonia com as celebrações da Igreja e da Ordem: os jubileus do Ano da Esperança, os 800 anos do Cântico das Criaturas e do texto “Audite, poverelle”, escrito por São Francisco para Santa Clara e suas irmãs por volta de 1225.

      De forma circular e criativa, os frades iniciaram a programação louvando a Criação que “geme em dores de parto” (cf. Rm 8,22). No mesmo compasso de Francisco de Assis, que encontrava Deus também em todas as criaturas, os irmãos rezaram, com cantos e preces, junto da Criação, inserindo-se nesta grande ciranda onde tudo está interligado.

      Seguindo a programação matinal, os formandos vivenciaram o itinerário “Ouvir, partilhar e caminhar”, apresentando suas esperanças e desesperanças quanto ao período formativo. O método iniciou-se com a escuta atenta de cada irmão (Ouvir). A partir dessa escuta empática, emergiu naturalmente a necessidade de partilhar sentimentos (Partilhar), identificar pontos em comum e, juntos, buscar caminhos possíveis diante das dificuldades encontradas dando passos na etapa formativa (Caminhar). 


800 anos do Audite, poverelle

      O enfoque especial deste encontro esteve voltado a um texto que tem sido pouco lembrado entre as datas jubilares franciscanas. A simplicidade do escrito, conhecido como “Ouvi, pobrezinhas”, pode passar despercebida, mas encontrou eco no coração dos formandos por meio de uma partilha conduzida por Madre Maria Letícia e Irmã Celina, do Mosteiro Santa Clara de Campina Grande/PB.

Ouvi, pobrezinhas, pelo Senhor chamadas, que de muitas partes e províncias fostes congregadas:
Vivei sempre na verdade, para morrerdes na obediência.
Não olheis a vida de fora, porque a do espírito é melhor.
Eu vos rogo com grande amor, que tenhais discrição nas esmolas que vos dá o Senhor.
As que estão por doença agravadas e as outras que por elas estão fatigadas, umas e
outras suportai-o em paz, pois havereis de vender bem caro essa fadiga, porque 
cada uma será rainha no céu coroada com a Virgem Maria.

      O cântico é datado por volta do ano de 1225 e teria sido escrito por Francisco durante sua estadia no Mosteiro de São Damião para o tratamento de uma enfermidade. Diante disso, Madre Letícia ressaltou que, nos momentos de maior fragilidade da alma, o coração tende a falar pouco, mas de forma profunda. O escrito, que possivelmente foi musicado pelo próprio santo, é composto por pequenos versos em estilo salmódico e exalta com veemência a intuição espiritual de Francisco: convidando à vivência da fraternidade, da pobreza, da castidade e da obediência, prometendo que, assim como a Virgem Maria, serão coroados no céu aqueles que viverem essas virtudes.


      Madre Letícia partilhou com os frades o fruto de sua própria oração e meditação sobre o texto, conduzindo-os por um verdadeiro itinerário espiritual. O silêncio monástico e a voz serena das irmãs despertaram uma necessidade já presente nas primeiras palavras do escrito: “Ouvir como pobrezinhos”. Como um novo Shema Israel, os frades foram motivados a uma escuta profunda, capaz de enxergar a consagração não com os olhos externos, mas da melhor forma com os olhos do coração, estabelecendo uma intimidade com Deus que vai além do chão onde os pés pisam.

      A formação foi concluída com um momento de convívio fraterno com as irmãs da comunidade, repleto de cantos e partilhas, demonstrando o desejo de permanecerem fiéis à unidade com a Primeira Ordem, como expressa a sua Regra. Conforme o costume nas visitas ao Mosteiro, os frades entoaram a bênção de São Francisco sobre as irmãs, e as monjas retribuíram com a bênção de Santa Clara sobre os irmãos.


      No segundo dia de encontro, a programação contou com momentos de recreação e lazer, com o objetivo de fortalecer ainda mais os vínculos fraternos.

      No findar do dia e da programação, os formando se reuniram para a celebração da Eucaristia no dia em que a Igreja faz memória de Nossa Senhora do Carmo. Contemplando a fidelidade da Virgem Maria, a “Flor do Carmelo”, os formandos puderam renovar sua vocação, confiantes de que, conforme a promessa contida no texto refletido durante o encontro, serão um dia coroados no céu com a Virgem Maria se observarem a forma de vida abraçada. 

Fonte: Serviço de Comunicação Provincial - Frei Roberto Alves, OFM
Imagem: Frei Roberto Alves, OFM
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