Missão Franciscana no Acre fortalece trabalho pastoral e social na região amazônica
A Missão Franciscana no Acre reúne frades do Brasil, Argentina e Chile para apoiar pastoralmente as comunidades da Diocese de Cruzeiro do Sul. Assumindo a proposta do Ano Jubilar, são convidados a levar esperança e renovar o carisma franciscano no cuidado com a Casa Comum
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26.06.2025 10:04:35 | 1 minutos de leitura

As raízes históricas da Diocese de Cruzeiro do Sul, no Acre, estão alicerçadas na missão. Os primeiros sete padres franceses, da Congregação do Espírito Santo, chegaram à região a pedido do bispo Dom Antônio Macedo Costa e desenvolveram um trabalho junto aos povos indígenas e seringueiros. Essa foi a porta de entrada para que o processo de evangelização se iniciasse, culminando na construção da Igreja particular como a conhecemos hoje.
A Diocese conta com uma população de 236.837 habitantes (IBGE, 2001), distribuída em uma área de 126.633,7 km². Sob a proteção de Nossa Senhora da Glória, busca manter-se fiel a uma eclesiologia com rosto amazônico.
Foi nesse território que 18 frades, vindos do Brasil, Argentina e Chile, realizam, como Conferência Franciscana do Brasil e Cone Sul, uma missão com o objetivo de contribuir com os trabalhos pastorais da Diocese local. Seus compromissos incluem: apoiar comunidades em áreas remotas; formar agentes locais de evangelização (ministros da Palavra, catequistas, etc.); realizar atividades de animação com a juventude; conhecer a realidade local para uma evangelização mais eficaz; oferecer uma presença missionária sazonal com perspectiva de continuidade; atender ao apelo do Papa Francisco pela missão na Amazônia; e proporcionar aos frades uma experiência transformadora de missão.
A recepção aconteceu na cidade-sede da Diocese, a segunda maior do Acre, com a chegada dos frades no dia 18 de junho. A acolhida foi feita pelo bispo diocesano, Dom Flavio Giovenale. A programação de abertura ocorreu na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, com uma Missa de envio para os frades, marcando o início da missão que dentro do cronograma inclui encontros com grupos e movimentos da diocese, além de visitas às comunidades locais.

Da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, participa Frei Francisco Rogério. Em conversa com nosso site, ele compartilhou sentimentos e desafios vivenciados nesta experiência missionária. Em primeiro lugar, o frade destacou o espírito de fraternidade proporcionado pela missão. “Nós, frades franciscanos das diferentes entidades da Conferência Brasil e Cone Sul, temos vivido uma proximidade muito fraterna. Creio que esse é um fruto muito importante desta missão para nossa entidade”, afirmou.
Frei Chico, como é conhecido, também destacou um aspecto que estreita os laços com o território provincial: a devoção a São Francisco das Chagas de Canindé, presente nas comunidades locais. “Devido aos seus antecedentes que vieram trabalhar nos seringais, muitos são de origem cearense. Normalmente, os bisavós e avós das pessoas que hoje vivem aqui vieram do Ceará, trazendo consigo essa devoção. É uma característica marcante deste povo nordestino, com uma forte ligação ao Santuário de São Francisco, assistido por nossa Província.”
Na primeira semana de missão, encerrada no dia 25, Frei Francisco Rogério esteve nas comunidades da Paróquia de São José, no município de Rodrigues Alves (AC). Entre as visitas, constatou desafios como a ausência de saneamento básico, rede de esgoto e fornecimento regular de água potável. Apesar disso, o acolhimento caloroso do povo foi marcante: “Foram dias muito vivos, com a acolhida das pessoas, que ofereciam o que tinham com simplicidade”, relatou.

Outro desafio recorrente no Norte do país é o acesso às comunidades, feito muitas vezes por navegação nos rios ou por veículos como quadriciclos, quando as estradas permitem. Sobre isso, o frade comentou que há “cansaço e desgaste”, pois os trajetos são longos e exigem muito esforço dos missionários.
Os franciscanos seguem semeando esperança no Acre até o próximo dia 30 de junho, certos de que os frutos da missão encherão as bagagens que, embora tenham chegado vazias, retornarão fartas do vigor evangélico do povo amazônico.




Fonte: Serviço de Comunicação Provincial - Frei Roberto Alves, OFM
Imagem: Frei Francisco Rogério, OFM