Devoção a Santo Antônio transborda os altares e ecoa pelos claustros e pelas ruas
Desde os primeiros séculos de presença no Brasil, os franciscanos trouxeram a devoção a Santo Antônio, fazendo com que ele fosse celebrado nas igrejas, nos claustros e nas ruas.
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03.06.2025 09:49:21 | 4 minutos de leitura
Um dos santos mais cultuados no Brasil é celebrado em diversos lugares. As trezenas acontecem em igrejas, pátios, claustros e nas casas das famílias. Essa descentralização reflete as várias expressões de devoção do povo que adotou Santo Antônio como companheiro espiritual.
De forma particular, em algumas casas de nossas Províncias, a devoção ganha novos espaços devido à interdição de estruturas conventuais, que estão em reforma ou aguardam reparos. É o caso do Convento São Francisco, em Salvador, onde, após o incidente ocorrido em fevereiro deste ano, a tradicional trezena está sendo celebrada na Igreja da Ordem Terceira, vizinha à igreja conventual.
Para o guardião da fraternidade, Frei Pedro Júnior, a força histórica da devoção a Santo Antônio, a forma como ele foi apresentado, como aquele que realiza muitos milagres, e seu jeito franciscano de proximidade, faz com que suas celebrações entrem nos lares e se conectem com a história das pessoas.

Sobre a experiência de celebrar o trezenário este ano em outro local, o frade ressalta que essa mudança convida ainda mais a aprofundar a espiritualidade antoniana, reafirmando o que há de essencial nessa tradição. “Sair de nossa casa para outra casa nos convida a fortalecer o alicerce da nossa fé, chamando-nos a testemunhá-la em todo lugar.”
Em Recife, a Sra. Eronice Martins, natural de Pesqueira, no interior de Pernambuco, celebra todos os anos os 13 dias de festejos no Convento da Rua do Imperador. Segundo a devota, a adaptação da celebração para o Claustro do Convento não interfere em sua fé: “Onde estivermos, a gente celebra esta Trezena. O único lugar que ela precisa ocupar é o nosso coração”, frisou a leiga. O carinho pelo santo e a longa história com os frades franciscanos, que já atravessa décadas, fazem com que, mesmo diante de tantas interdições durante a pandemia ou de outras reformas já vivenciadas na Igreja, sua fé e esperança no santo português se fortaleçam ainda mais.

Em Ipojuca, no litoral sul de Pernambuco, o tríduo em honra a Santo Antônio — padroeiro do convento que está em reforma — é celebrado de 10 a 13 de junho, na Igreja Matriz de São Miguel. Na capital pernambucana, após a interdição da igreja pela Defesa Civil, o trezenário é celebrado no claustro do convento com uma estrutura montada para enfrentar as fortes chuvas deste tempo. O conjunto é uma das construções mais antigas ainda de pé no Recife e, como outros prédios históricos, une a devoção ao apelo pela preservação do patrimônio.
Em outros lugares, o que leva as celebrações de Santo Antônio a saírem das igrejas é o grande número de fiéis que buscam exercer sua devoção ao santo português nestes primeiros dias de junho. Em Aracaju, Sergipe, o ponto de encontro é a pequena Igreja erguida no alto da colina, dedicada ao santo. Foi ao redor dessa construção do século XIX que surgiu o povoado que mais tarde se tornaria a capital do estado. As celebrações acontecem ao lado da matriz, reunindo o momento religioso e cultural nos treze dias de festa.

Em Canindé, no Ceará, a igreja conventual torna-se pequena para as milhares de pessoas esperadas durante o trezenário. Assim, o pátio do Convento transforma-se em um grande altar, onde, por meio das orações e celebrações da Santa Missa, os devotos expressam seus louvores ao santo.
Seja na igreja, nos pátios ou nas casas das famílias, Santo Antônio mostra que a fé ultrapassa os espaços físicos e consagra o coração do povo como seu altar preferido.



Fonte: Serviço de Comunicação Provincial - Frei Roberto Alves, OFM
Imagem: PASCOM Convento Santo Antônio Recife/PE | Covento São Francisco Salvador/BA