15º Domingo do Tempo Comum Ano C: VAI E FAZ O MESMO
A partir da liturgia do 15º Domingo do Tempo Comum Frei Pedro Júnior nos convida a escutar a voz de Deus presente nos mandamentos, que são caminhos para a liberdade. O Evangelho apresenta a pergunta sobre como herdar a vida eterna, e Jesus ensina que não basta conhecer a lei, é preciso vivê-la concretamente. A parábola do Bom Samaritano mostra que o próximo não é apenas o conhecido, mas também o estranho e até o inimigo. Jesus conduz o doutor da lei a experimentar quem é o próximo por meio da compaixão. A mensagem é clara: todo ser humano é nosso próximo e deve ser amado como irmão.
Reflexão Dominical
13.07.2025 08:31:11 | 1 minutos de leitura

A liturgia deste 15º Domingo do Tempo Comum nos convida a escutar a voz de Deus. A primeira leitura (Dt 30, 10-14) enfatiza que essa voz está presente na observância dos mandamentos. O melhor de tudo é que essa voz não está longe e nem fora do nosso alcance, talvez o que nos falte é perceber que não somente os iluminados escutarão, e sim, todos aqueles ou aquelas que de coração e de consciência aderir aos mandamentos. Estes não são inimigos da liberdade, como normalmente interpreta a modernidade. Os mandamentos são caminhos para ser livre e não o contrário.
Lucas no Evangelho (Lc 10, 26-37) coloca na boca de um doutor da lei uma pergunta que todos os dias nos fazemos: O que fazer para receber a vida eterna, ou seja, para ser feliz? Jesus sabendo que era um doutor em leis devolve a pergunta e o mesmo responde: amar a Deus e ao próximo de todo o coração. Diante da boa resposta Jesus diz: “faz isso e viverás”. Não se trata apenas de saber dos mandamentos, Jesus pede para que faça. Normalmente sabermos de cor os mandamentos, os sacramentos, as doutrinas, contudo, o pedido de Jesus é, vive-los.
A conversa de Jesus com o doutor da lei não para na lei em si mesmo. Então volta a perguntar a Jesus quem é o próximo. Dessa vez Jesus só devolve a pergunta depois de narrar uma história. A intenção de Jesus é levar o seu interlocutor a fazer a experiência do próximo e não saber apenas quem é o próximo. Fazer essa experiência é mais marcante porque sentimos na pele que o próximo não é só o conhecido, bem como o desconhecido e até mesmo um inimigo. Na história que Jesus narra, ele coloca no mesmo ambiente judeus e um samaritano. Como sabemos, estes dois povos historicamente tem uma relação conflituosas, ao ponto de um não entrar no território do outro. Diante de um homem caído a beira da morte, tem-se um sacerdote e um levita, ambos conhecedores da lei, que amparados pela própria lei que dizia não tocar em um morto, a não ser um dos seus familiares, nada fazem e passa adiante. Porém, o samaritano, talvez sem conhecer aquela lei usa de misericórdia, se aproxima e cuida. Somente depois de narrar a história, Jesus devolve a pergunta: quem foi o próximo? Jesus permitiu que o doutor da lei fizesse a experiência do próximo e admitisse que até mesmo o que consideramos inimigo ou diferente é o meu próximo.
A pergunta hoje é dirigida a todos nós cristãos, quem é o meu próximo? Para os discípulos de Jesus, todo homem e mulher torna-se próximo para mim na medida em que o considero como um irmão, isto é, como alguém que é extensão de minha vida e não um “tu” afastado. Se temos ainda dúvida de quem é o meu próximo, pelo menos escutemos o que Paulo relata na segunda leitura (Col 1,15-20) “Cristo é o primogênito de toda criatura”, ora se ele é o primeiro, escutemos sua voz que nos diz: “Vai e faz o mesmo”.
Fonte: Frei Pedro Júnior, OFM