IDENTIDADE FRANCISCANA: Qual é o lugar dos pobres no carisma franciscano e na vida dos Frades Menores?

Frei Walter Schreiber, OFM reflete sobre a opção dos pobres dentro do Carisma franciscano lembrando a opção feita por Francisco de Assis e que perdura até os dias atuais.

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15.08.2022 09:00:00 | 1 minutos de leitura

 IDENTIDADE FRANCISCANA: Qual é o lugar dos pobres no carisma franciscano e na vida dos Frades Menores?

       Para entender o lugar dos pobres na vida de São Francisco devemos olhar o caminho de conversão de Francisco. Era um jovem reconhecido em Assis, filho de um comerciante rico, que teve os meios para oferecer aos amigos diversão e festas. Depois se encanta com a vida dos cavalheiros e deseja ser um deles e por isso participa da guerra entre Perugia e Assis. Foi prisioneiro e sofreu uma longa doença que se torna um momento de “kairos”, de mudança de sua vida. A recuperação da doença foi acompanhada por uma conversão profunda, que o levou buscar o verdadeiro sentido de sua vida. Ele o encontra na Igreja São Damião no contato com Jesus Cristo crucificado, “que se fez pobre por nós, neste mundo” (cf. 2Cor 8,9; Regra Bulada 6,3). “Ele tinha a condição divina, e não considerou o ser igual a Deus como algo a que se apegar ciosamente. Mas esvaziou-se a si mesmo, e assumiu a condição de servo, tomando a semelhança humana” (Flp 2,6s). 
       
       Para Francisco o grande ato de misericórdia e de humildade de Deus é justamente o mistério de Encarnação. Deus se fez pobre e por isso o pobre para Francisco se torna uma mediação para seguir fielmente a Jesus. O encontro com o leproso torna-se decisivo para Francisco: “E o Senhor mesmo me conduziu entre eles e eu tive misericórdia com eles. E enquanto me retirava deles, justamente o que antes me parecia amargo se me converteu em doçura da alma de do corpo” (Testamento 2-3). O pobre se torna assim para Francisco a mediação concreta para seguir a Jesus. “A Regra e a vida dos frades menores é esta: observar o santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo em obediência, sem propriedade e em castidade” (Regra Bulada 1,1). Na Regra não Bulada ele acrescenta “e seguir a doutrina e as pegadas de Nosso Senhor Jesus Cristo, que diz: “Se quiseres perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro nos céus, e vem e segue-me” (2-3).

       Ser solidário com os pobres para Francisco é inerente ao seguimento de Jesus, é fidelidade ao Evangelho, é vivência do Reino de Deus. No Evangelho de Mateus ele nos mostra isso:  O que em primeiro momento é uma compreensão teológica do pobre se torna no próprio Evangelho ao mesmo tempo uma opção humana concreta ou com palavras modernas política, econômica e sociológica. “Pois tive fome e vocês me deram de comer, tive sede e me deram de beber, era estrangeiro e me acolheram, estava nu e me vestiram, estava doente e me visitaram, estava na cadeia e vieram me ver” (Mt 25,35s).

       Como para São Francisco o leproso foi a chave da aproximação ao mistério de Deus, assim os pobres de hoje devem ser para os Irmãos Menores o caminho para seguir Jesus. O Documento de Puebla nos fala das feições sofredoras de Cristo, hoje: feições de crianças golpeadas pela pobreza; feições de jovens desorientados; feições de indígenas vivendo segregados e em situações desumanas; feições de camponeses sem terra; feições de operários mal remunerados e com dificuldades para defender os seus direitos; feições de subempregados e desempregados sem condições de oferecer uma vida digna aos suas famílias; feições de marginalizados e amontoados carentes de desenvolvimento humana; feições de anciãos cada dia mais numerosas postos a margem da sociedade (cf. Puebla Cap. II, 32-39).

       Finalizando, a opção pelos pobres para os Irmãos Menores é uma opção evangélica e o compromisso assumido na profissão da Regra e Vida. É um desafio permanente a ser conquistado pessoal e comunitariamente. Papa Francisco na sua homilia em Santa Marta, aos dias 11 de maio de 2013 fala da missão da Igreja: “Que o Senhor nos dê esta liberdade de entrar naquele santuário onde Ele é sacerdote e intercede por nós e qualquer coisa que pedirmos ao Pai em seu nome, Ele nos dará. Mas também nos dê a coragem de ir naquele outros “santuário” que são as chagas dos nossos irmãos e irmãs necessitados, que sofrem, que levam ainda a cruz e ainda não venceram, como Jesus venceu”. O pobre é um “santuário”, por isso deve ter um lugar privilegiado na vida e missão dos Irmãos Menores. 

Fonte: Frei Walter Schreiber, OFM
Fotógrafo: Frei Lorrane Clementino, OFM
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