Retiro Provincial aprofunda o legado espiritual de São Francisco no Jubileu dos 800 anos de sua Páscoa
Retiro Anual da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil reúne frades em profunda experiência de oração, fraternidade e renovação espiritual à luz das Fontes Franciscanas no Jubileu dos 800 anos da Páscoa de São Francisco de Assis.
25.07.2026 09:09:36 | 2 minutos de leitura

Nos últimos dias do Retiro Anual da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, os frades vivenciaram momentos de oração, fraternidade e aprofundamento espiritual, conduzidos por Frei Fidêncio Vanboemmel, OFM. As reflexões tiveram como referência os escritos fundamentais das Fontes Franciscanas, em sintonia com o Jubileu Franciscano dos 800 anos da Páscoa de São Francisco de Assis, celebrado neste ano de 2026.
A partir dos textos que narram a vida, a experiência espiritual e o legado de Francisco de Assis, os irmãos foram convidados a contemplar sua caminhada como um itinerário de fidelidade ao Evangelho, marcado pela fraternidade, humildade, pobreza evangélica e configuração a Cristo.
Entre os temas aprofundados esteve a Carta Encíclica de Frei Elias de Cortona sobre o trânsito de São Francisco, documento que expressa a dor pela partida do fundador da Ordem e, ao mesmo tempo, a esperança cristã na vida eterna. Frei Elias apresenta Francisco como uma luz para seus irmãos: “A presença do nosso irmão e pai Francisco era luz” (Carta Encíclica de Frei Elias de Cortona, vv. 7-8), recordando também os estigmas recebidos no Monte Alverne como sinal de sua profunda união com Cristo crucificado.
Outro momento significativo foi dedicado ao Testamento de São Francisco, compreendido como um legado espiritual para toda a Ordem dos Frades Menores. Neste escrito, Francisco reconhece a ação de Deus em sua própria história: “O Senhor me concedeu...” (Testamento de São Francisco, 1-39). A reflexão destacou o convite à fidelidade ao Evangelho, à fraternidade e à pobreza evangélica, renovando diariamente a resposta ao chamado de Deus: “Irmãos, comecemos a servir o Senhor Deus, porque até agora pouco ou nada fizemos” (Tomás de Celano, Primeira Vida, 1Cel 103).
As meditações também percorreram os relatos de Frei Tomás de Celano sobre a Páscoa de Francisco, ressaltando que sua morte foi a consumação de uma vida inteiramente entregue ao Senhor: “Na morte do homem as suas obras se revelam” (Tomás de Celano, Segunda Vida, 2Cel 214,1). Francisco acolheu sua passagem definitiva com serenidade e fé, reconhecendo a morte como irmã: “Bem-vinda, minha irmã morte” (Tomás de Celano, Segunda Vida, 2Cel 217,8-9).
A reflexão sobre São Boaventura recordou seu serviço como Ministro Geral da Ordem e seu empenho em preservar a fidelidade ao carisma franciscano, chamando os irmãos à renovação do fervor das origens, à observância da Regra e à vivência autêntica do Evangelho.
O retiro também aprofundou o caminho espiritual de Francisco rumo à perfeição evangélica, marcado pelo encontro com os leprosos, pelo despojamento e pela configuração a Cristo pobre e humilde. Como recorda Celano: “Pelos degraus de todas as virtudes chegou ao ápice” (Tomás de Celano, Segunda Vida, 2Cel 214,2), tornando-se sinal de uma vida plenamente transformada pelo Evangelho.
Outro momento de reflexão foi dedicado à Porciúncula, lugar central na trajetória de Francisco de Assis, onde nasceu sua vocação, onde a fraternidade se consolidou e onde celebrou sua passagem para Deus. Segundo os relatos das Fontes Franciscanas, naquele momento final, Francisco reuniu os irmãos, abençoou-os, ouviu o Evangelho da Última Ceia e partilhou o pão como sinal da Páscoa de Cristo.
Ao contemplar o tema “A morte de um homem, nascimento de um santo”, os frades foram convidados a compreender que o trânsito de Francisco não representa o fim de sua missão, mas o nascimento de um testemunho de santidade que continua inspirando toda a Família Franciscana. Sua vida permanece como expressão de uma existência totalmente orientada para Deus, para o Evangelho e para o serviço aos irmãos.
O Retiro Provincial foi concluído no dia 24 de julho com um momento fraterno de convivência, marcado por um jantar recreativo em ação de graças pelo dom da vocação franciscana. A ocasião também celebrou os aniversários de Frei Jailson e Frei Cristóvão.